A montadora chinesa Great Wall Motor, a GWM, escolheu Aracruz, no Norte do Espírito Santo, para instalar sua segunda fábrica no Brasil. O projeto foi lançado nesta terça-feira (30), em Barra do Riacho, no próprio terreno onde a unidade será construída, e marca um dos movimentos industriais mais relevantes já anunciados para o estado: a planta deve receber investimento bilionário – estimado em US$ 1 bilhão –, sendo a maior operação da GWM fora da China, ter capacidade planejada para produzir 200 mil veículos por ano e gerar mais de 9 mil empregos diretos em plena operação.
A escolha do Espírito Santo não foi automática: o estado disputou o investimento com outros cinco estados brasileiros e também com outros países. No fim, pesaram a localização estratégica, a proximidade com a infraestrutura portuária e a estabilidade institucional.
Logística, escala e ambiente de negócios
O principal diferencial de Aracruz está na combinação entre indústria e logística. A futura fábrica ficará a cerca de 500 metros do Portocel, o que facilita o escoamento da produção para a América Latina e, futuramente, para a Europa. Em um setor no qual custo logístico, previsibilidade e acesso a mercados pesam diretamente na competitividade, a localização foi decisiva.
A nova unidade também nasce com outra escala. A fábrica de Iracemápolis, no interior de São Paulo, tem capacidade atual de aproximadamente 40 mil veículos por ano. Em Aracruz, a capacidade planejada é de 200 mil carros por ano. Na prática, a planta capixaba poderá ter uma capacidade cinco vezes maior que a atual operação paulista da montadora.
A fábrica será multienergia, com previsão de produzir veículos elétricos, híbridos e, possivelmente, modelos a combustão. A intenção é montar no Espírito Santo modelos das linhas Ora e Haval, em uma etapa mais robusta da estratégia da GWM para ampliar presença no mercado brasileiro.
O movimento ocorre em um momento de aceleração da marca no país. A GWM vendeu 42 mil unidades no Brasil em 2025 e mira 100 mil veículos em 2026. O desempenho recente também reforça a aposta: o Haval H5 registrou mais de 3.500 pedidos em apenas uma semana, segundo dados apresentados no evento.
Embora a GWM já tivesse anunciado, em 2022, um pacote de R$ 10 bilhões em investimentos para o Brasil, os números da planta de Aracruz estão sendo revisados. A estimativa é que a unidade custe cerca de US$ 1 bilhão, mas o valor pode ser superior.
A expectativa é que as obras comecem ainda este ano. A montadora trabalha com a previsão de iniciar a produção em 2029, mas também avalia formas de antecipar o começo das operações.
A chegada da GWM também reforça uma mudança de patamar para o Espírito Santo. O estado, historicamente forte em mineração, siderurgia, celulose, petróleo, gás e logística, passa a disputar espaço em uma indústria de maior valor agregado, conectada à eletrificação e à nova cadeia global da mobilidade.
Aracruz venceu porque conseguiu reunir ativos que hoje pesam na decisão de grandes grupos industriais: acesso portuário, posição estratégica, ambiente institucional estável, mão de obra em formação e capacidade de articulação. A fábrica da GWM ainda dependerá de obras, licenciamento, fornecedores e qualificação em escala. Mas o anúncio já coloca o município e o Espírito Santo em uma nova rota industrial no país.


