A Região Serrana do Espírito Santo vive uma nova etapa de desenvolvimento turístico. Depois de se consolidar como destino a partir do clima de altitude, da Mata Atlântica e da herança italiana e alemã, o interior capixaba começa a avançar em uma frente com alto potencial de negócios: o turismo de experiência.
A mudança acompanha um movimento nacional. O setor turístico capixaba registrou crescimento de 9,2% em 2025, o quarto maior índice do país, segundo o Boletim Economia do Turismo, publicação desenvolvida em parceria entre a Setur, o IJSN e a Fapes. Ao mesmo tempo, o turismo de experiência já responde por aproximadamente 60% do faturamento dos pequenos negócios de turismo no Brasil e aparece como principal motivação de quase 9 em cada 10 turistas brasileiros, segundo pesquisa do Sebrae em parceria com o TRVL LAB, laboratório de inteligência de mercado em viagens.
No Espírito Santo, municípios como Pedra Azul, Santa Teresa e Venda Nova do Imigrante, reconhecida pelo Ministério do Turismo como Capital Nacional do Agroturismo há quase quatro décadas, passam a ganhar ainda mais relevância econômica.


Em Pindobas, festival de balonismo consolida o distrito turístico como destino de experiência
Um exemplo concreto dessa dinâmica é o Festival de Balonismo de Pindobas, realizado entre os dias 26 e 28 de junho no Distrito Turístico de Pindobas, em Venda Nova do Imigrante. Ao longo dos três dias, seis balões sobrevoam áreas de Venda Nova do Imigrante e Domingos Martins, com voos ao amanhecer e ao entardecer, voos cativos a 50 metros de altura, rapel de balão e um espetáculo noturno em que os balões permanecem inflados no solo e são iluminados ao ritmo da música.
Mais do que uma atração visual, o balonismo tem potencial para funcionar como âncora de fluxo turístico. Em Torres, no Rio Grande do Sul, reconhecida como a capital nacional do balonismo, o festival anual atrai uma média de 50 mil visitantes por edição, com ocupação hoteleira superior a 90% nos dias de evento, segundo dados da prefeitura local. A lógica é simples: o balão atrai atenção, o evento gera fluxo e o fluxo movimenta hospedagem, gastronomia, artesanato, agroindústrias e comércio local.
Em Pindobas, a programação segue essa mesma lógica de integração econômica. Além dos voos, o festival inclui feira gastronômica com produtos coloniais, cervejas artesanais e agroindústrias locais, além de espaço para artesãos de Pindobas e de municípios vizinhos, com entrada gratuita ao público. O período do evento marca também a inauguração do Bistrô Café Casa Nostra, novo empreendimento que passa a integrar o Complexo Turístico de Pindobas.
O movimento reforça uma tendência importante para o turismo capixaba: a transformação de ativos locais — paisagem, cultura, produção rural, gastronomia e memória afetiva — em produtos turísticos capazes de gerar permanência, consumo e recorrência. Para os pequenos negócios, esse modelo amplia o ticket médio do visitante e fortalece cadeias produtivas que vão muito além do passeio em si.
Para que esse fluxo se converta em desenvolvimento local, no entanto, a cadeia produtiva precisa estar preparada para receber, entreter e fidelizar o turista. Patricia Cangussu, gerente da Regional Serrana do Sebrae/ES, afirma que a instituição tem atuado justamente na estruturação desses elos.
“Partimos do entendimento de que o desenvolvimento do turismo não acontece de forma isolada. Ele depende da qualificação conjunta de todos os elos — meios de hospedagem, gastronomia, produtores rurais, artesãos, guias e serviços locais — que, quando bem articulados, constroem uma oferta turística mais competitiva e sustentável”, afirma Cangussu.
Segundo ela, o objetivo é transformar vocações tradicionais do interior em ecossistemas turísticos mais organizados.
“Temos contribuído para transformar economias locais de base tradicional em ecossistemas turísticos mais organizados, inovadores e integrados, capazes de gerar renda, valorizar a cultura local e promover o desenvolvimento sustentável dos municípios capixabas”, completa a gerente.


