O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, recebeu nesta segunda-feira (11) o prêmio Brazilian Jaguar of the Year durante a terceira edição internacional do Brazilian Regional Markets (BRM), realizada no Harvard Club de Nova York. A premiação, criada pela Apex para reconhecer lideranças que constroem o renascimento do Brasil, elege o Rio Grande do Sul como o estado que mais avançou na construção de um Brasil mais descentralizado e competitivo. É a segunda edição do prêmio — no ano anterior, o homenageado foi o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande.
O que representa o Brazilian Jaguar of the Year
O prêmio foi criado pela Apex para reconhecer, anualmente, lideranças públicas e empresariais que se destacaram na construção de um Brasil mais descentralizado e competitivo. A distinção foi entregue ao final do painel “Existe um Brasil que dá certo: a agenda das Onças Brasileiras”, mediado por Pedro Chieppe, vice-presidente institucional da Apex, que teve Eduardo Leite como convidado para apresentar a trajetória de recuperação fiscal e econômica do Rio Grande do Sul a investidores nacionais e internacionais presentes no Harvard Club de Nova York, nos EUA.
Ao encerrar o painel e entregar a homenagem, Chieppe destacou a marca deixada pela gestão no estado. “Acho que existe um Rio Grande antes do Eduardo e um Rio Grande depois do Eduardo. Parabéns pelo trabalho e siga firme na política”, disse.
De salários atrasados a R$ 6 bilhões em concessões: a virada fiscal que justifica o prêmio
O contexto que torna a homenagem ainda mais expressiva é o ponto de partida. Em 2019, o Rio Grande do Sul não conseguia pagar os salários de seus servidores em dia — o atraso chegou a 40 dias, com pagamentos parcelados ao longo do mês.
“Para ter a dimensão do que nós enfrentamos, o Rio Grande do Sul que nós assumimos lá em 2019 estava sem conseguir pagar salários dos seus servidores em dia. Chegou a bater uma folha de pagamentos no mês seguinte e não tinha completado de pagar a anterior. Não tinha nenhuma capacidade de investimentos”, afirmou Leite.
A resposta foi um programa de ajuste fiscal combinado com privatizações. O governo transferiu ao setor privado três companhias de energia, a companhia de gás e a companhia de saneamento. O resultado é concreto: a empresa de saneamento, que investia no máximo R$ 400 milhões por ano sob gestão pública, passou a investir R$ 1,5 bilhão anualmente após a privatização, com mais funcionários do que antes.
Com o equilíbrio fiscal restabelecido, o Rio Grande do Sul montou uma carteira expressiva de projetos estruturantes. Leite apresentou ao público de investidores presentes no Harvard Club dois grandes blocos de concessões de rodovias: o primeiro, com leilão marcado para 10 de junho na B3, envolve 400 quilômetros de rodovias na região central e norte do estado, com capex estimado em R$ 6 bilhões. O segundo bloco, da região metropolitana em direção a Gramado e Canela, deve ter edital publicado até junho ou julho, com volume de investimentos em torno de R$ 5 bilhões.
Além das rodovias, o estado tem PPPs em andamento para um hospital na região metropolitana, para o centro administrativo de Porto Alegre e para infraestrutura escolar, com leilão de 98 escolas previsto para 26 de junho na B3. No setor privado, os destaques incluem uma nova planta de celulose da CNPC com investimento de R$ 25 bilhões, projetos de data centers em Eldorado, parques eólicos offshore e um programa de hidrogênio verde, com três projetos já em fase de investimento.
Segurança pública: 65% menos homicídios e modelo de governança inspirado em Nova York
O Rio Grande do Sul é hoje o estado com menor índice de roubos a pedestres do Brasil, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A redução de homicídios chegou a 65%, de roubos a pedestres a 80% e de roubos de veículos a 90%. O modelo foi inspirado no Compstat da Polícia de Nova York, sistema de gestão baseado em dados georreferenciados e reuniões periódicas de acompanhamento, que Leite conheceu pessoalmente quando estudou na Universidade de Columbia.
“O grande segredo do nosso programa de segurança pública é a governança. Não tem nenhuma coisa super diferente, a não ser ter a leitura dos dados, fazer a leitura dessas estatísticas com georreferenciamento e ter uma dinâmica de acompanhamento intensivo. Quem está começando a apresentar algum tipo de problema vai ser chamado a apresentar diante de todos e do governador o que está fazendo”, afirmou.
Prêmio e painel reforçam tese do BRM: estados que ajustam a casa atraem o capital do futuro
O prêmio entregue a Leite em Nova York coincide com um momento em que o Rio Grande do Sul concentra uma das maiores carteiras de projetos em concessões e PPPs do país — mais de R$ 11 bilhões em investimentos previstos para os próximos anos, entre rodovias, hospitais, escolas e infraestrutura urbana.
“O nosso país tem desafios, mas tem enormes oportunidades também. É sobre nesses encontros a gente resgatar esse compromisso de cada um de nós, seja no setor público, seja no setor privado, de construir a riqueza da nossa nação”, concluiu Leite.


