O Porto de Paranaguá, no Paraná, executa um ciclo de investimentos de R$ 6,8 bilhões para ampliar capacidade, modernizar a infraestrutura e melhorar os acessos logísticos, em um movimento voltado a reduzir gargalos e preservar competitividade diante do crescimento das exportações brasileiras e do avanço de corredores concorrentes.
Entre os projetos estão obras nos acessos ferroviários e rodoviários, ampliação da capacidade operacional e iniciativas de digitalização das operações portuárias.
Gargalos pressionam crescimento
Assim como outros grandes corredores de exportação do país, Paranaguá enfrenta desafios relacionados ao aumento do fluxo de cargas agrícolas, à pressão sobre os acessos terrestres e à necessidade de receber embarcações cada vez maiores.
Durante os períodos de safra, a movimentação intensa de caminhões e vagões aumenta a pressão sobre a infraestrutura logística do porto e seus acessos, especialmente na ligação com a BR-277 e no Corredor de Exportação.
A expansão da capacidade ferroviária também se tornou estratégica diante do crescimento das exportações do agronegócio. Projetos como o Moegão, atualmente em implantação, buscam aumentar a eficiência na recepção de grãos, reduzir cruzamentos ferroviários urbanos e ampliar a capacidade de movimentação do complexo.
Outro desafio é a adaptação da infraestrutura para navios de maior porte, tendência observada em toda a navegação internacional e que exige investimentos permanentes em dragagem, aprofundamento de canais e modernização dos berços de atracação.
Competição entre corredores exportadores
Os investimentos também refletem a crescente competição entre os principais corredores de exportação do país. Paranaguá disputa cargas diretamente com Santos, Rio Grande, São Francisco do Sul e, cada vez mais, com os portos do Arco Norte, que vêm ampliando participação no escoamento da produção agrícola brasileira, especialmente do Centro-Oeste.
A mudança no mapa logístico brasileiro é significativa. Em 2025, os portos do Arco Norte responderam por 36,2% das exportações brasileiras de soja, superando o Porto de Santos, com 32%, enquanto Paranaguá concentrou 13,4% dos embarques da commodity. No milho, a liderança do corredor do Norte foi ainda mais expressiva, com 48% das exportações nacionais, ante 36,9% de Santos e 10,4% de Paranaguá.
O avanço dos terminais do Norte é impulsionado principalmente pela proximidade com a produção do Centro-Oeste, reduzindo distâncias rodoviárias, custos logísticos e tempo de trânsito até os mercados internacionais. Em 2025, os portos do Arco Norte movimentaram 58,06 milhões de toneladas de soja e milho, o maior volume já registrado pela região.
Ao mesmo tempo, Paranaguá continua sendo um dos principais corredores logísticos do agronegócio brasileiro e o maior porto exportador de granéis agrícolas da América Latina, além de liderar a importação nacional de fertilizantes.
Nesse ambiente, produtividade, previsibilidade operacional e redução dos tempos de espera passaram a influenciar diretamente a escolha dos corredores logísticos por tradings, cooperativas e embarcadores. Os investimentos em capacidade, acessos e digitalização são vistos pelo porto como fundamentais para preservar competitividade diante do avanço dos concorrentes nacionais.
Alemanha amplia participação nas exportações
A Alemanha vem consolidando sua posição entre os principais destinos das cargas embarcadas pelo porto paranaense. Em 2025, o volume de mercadorias exportadas para o país europeu superou 700 mil toneladas, movimentando US$ 406,5 milhões em valor FOB.
O farelo de soja respondeu pela maior parte desse fluxo. As exportações da commodity cresceram de 457,9 mil toneladas em 2024 para 558 mil toneladas em 2025. Apesar do aumento do volume embarcado, a receita permaneceu praticamente estável, refletindo a volatilidade cambial e a queda dos preços internacionais das commodities agrícolas.


