Um bairro planejado para abrigar até 80 mil moradores, com potencial de VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 17 bilhões apenas na fase vertical e retorno com vendas estimado em mais de R$ 20 bilhões: o DeltaVille, em Biguaçu (SC), entra em sua etapa mais ambiciosa com o lançamento da verticalização e pelo menos mais dez anos de obras pela frente. O projeto reposiciona o município como o novo eixo de expansão imobiliária da Grande Florianópolis, em um ciclo de desenvolvimento que prevê investimento total de R$ 10 bilhões em infraestrutura e construção.
De cidade satélite a nova centralidade: Biguaçu como o próximo vetor imobiliário da Grande Florianópolis
O movimento tem uma lógica territorial clara. As cidades que historicamente absorveram o boom imobiliário da Grande Florianópolis já esgotaram seu espaço de crescimento. Palhoça e São José, os principais vetores de expansão das últimas décadas, operam hoje com oferta restrita e metro quadrado pressionado. Biguaçu, vizinha imediata, reúne as condições que essas cidades tinham antes do boom: terreno disponível, localização estratégica e demanda reprimida de uma população regional em crescimento.
É nesse contexto que o DeltaVille se consolida. O empreendimento já soma cerca de 3,5 mil casas de médio e alto padrão, com média de 200 metros quadrados por unidade. O metro quadrado dentro do bairro já alcança R$ 13 mil, acima da faixa praticada no restante de Biguaçu, que varia entre R$ 9 mil e R$ 11 mil. A unidade mais acessível parte de R$ 1 milhão, em imóveis de aproximadamente 120 metros quadrados, com os maiores chegando a R$ 4 milhões.
“Palhoça já sofreu esse boom imobiliário. Hoje está saturada. São José também já cresceu o que tinha que crescer. A gente já entendia, lá em 2008, que esse boom aconteceria em Biguaçu”, afirmou Roberto Pedrini, diretor-geral da Ábaco Urbanizadora, responsável pelo projeto.
Marina, vila gastronômica e vocação náutica: o diferencial que ancora a precificação premium
O DeltaVille não se posiciona como um condomínio de alto padrão convencional. O projeto aposta em um conceito ainda pouco explorado na Grande Florianópolis: um bairro com infraestrutura voltada ao setor náutico. A proposta inclui marinas, garagens para embarcações, rampas públicas de acesso ao Rio Biguaçu e uma vila gastronômica à beira d’água, elementos que diferenciam o empreendimento no mercado catarinense e sustentam a precificação acima da média regional.
O controle urbanístico é outro pilar da estratégia de valorização. O bairro opera com regras próprias de aprovação de construções, que incluem exigências de metragem mínima, padrão arquitetônico e paisagismo obrigatório, aplicadas antes mesmo da análise municipal.
“A pessoa que compra um terreno dentro do DeltaVille não constrói o que ela quer; ela constrói o que nós autorizamos”, explicou Pedrini. “Se a pessoa não apresentar um projeto com paisagismo, a gente não aprova”, completou.
450 empregos, uma área industrial já esgotada e uma fábrica de móveis que nasceu para atender o bairro
O impacto econômico do DeltaVille já extrapola os limites do canteiro. O empreendimento movimenta hoje cerca de 450 empregos diretos e indiretos, ativando cadeias de construção civil, decoração, comércio e serviços. O efeito sobre o entorno é concreto: fornecedores foram criados especificamente para atender a demanda do bairro. “Tem gente que criou fábrica de móveis para atender o DeltaVille”, afirmou Pedrini.
Dentro do complexo já funcionam supermercado, pizzarias e espaços de entretenimento. A área voltada ao setor industrial, que contempla empresas de logística, distribuição e ferragens, já teria sido integralmente comercializada.
A proposta é que o bairro funcione como um ecossistema autossuficiente, reduzindo a necessidade de deslocamento para outras cidades da região metropolitana.
“É como se fosse uma outra cidade dentro de Biguaçu. Um ecossistema próprio”, resumiu o diretor.
Mais de R$ 20 bilhões em vendas projetadas e uma década de obras: a fase vertical como próximo capítulo
A etapa que começa agora é a de maior escala financeira do projeto. O lançamento vertical, apresentado em março, prevê prédios residenciais e comerciais com VGV estimado em R$ 17 bilhões, dentro de um investimento total de R$ 10 bilhões em infraestrutura e construção. A expectativa de retorno com vendas supera R$ 20 bilhões, num cronograma que se estende por pelo menos mais dez anos.
Entre os projetos previstos para os próximos ciclos está um condomínio rural voltado a moradores que buscam maior contato com a natureza, descrito pela urbanizadora como a etapa final do desenvolvimento do DeltaVille. Com população projetada de até 80 mil pessoas, o bairro pode, ao final do ciclo, rivalizar em tamanho com a própria cidade que o abriga, hoje estimada em 69 mil habitantes.


