A Leão, dona da marca Mate Leão e detentora de 68,5% do mercado brasileiro de chás por infusão, vai investir R$ 100 milhões até 2030 para modernizar suas duas fábricas no Paraná e ampliar a capacidade produtiva, com meta de dobrar de tamanho até o fim da década. O aporte se soma a outros R$ 60 milhões aplicados nos últimos quatro anos e acontece em um setor que movimentou R$ 1,3 bilhão no Brasil em 2025, com crescimento de 13,6% no período. Além da expansão doméstica, a companhia acelera a internacionalização, com operações já em curso em seis mercados externos: Estados Unidos, Canadá, Espanha, Portugal, Japão e Oriente Médio.
Modernização e expansão
Do novo aporte de R$ 100 milhões, 60% serão destinados à modernização de equipamentos e 40% à expansão da capacidade produtiva nas unidades de Fazenda Rio Grande e Fernandes Pinheiro, no Paraná. Controlada pelo sistema Coca-Cola desde 2007, a Leão emprega cerca de 700 funcionários e opera com estrutura própria de gestão e conselho de administração independente, com foco exclusivo no mercado de chás, erva-mate e bebidas funcionais.
“O Brasil tem um grande mercado promissor ainda a se desenvolver”, afirmou Marcelo Corrêa, CEO da Leão.
A expansão, segundo a empresa, é impulsionada pela busca do consumidor por bebidas mais saudáveis e funcionais, tendência especialmente forte entre o público mais jovem. Em 2025, a companhia lançou 11 produtos para capturar esse movimento, incluindo linhas de chimarrão e tereré com erva-mate verde, e prepara novos produtos funcionais que ainda aguardam regulamentação da Anvisa para avançar comercialmente, segundo a Bloomberg Línea.
O consumo per capita de chá no Brasil passou de 16,5 xícaras anuais em 2016 para 24 em 2025. O número avançou, mas ainda está distante de países vizinhos como Uruguai e Argentina, que consomem 1.200 e 500 xícaras por ano, respectivamente, o que indica espaço relevante para expansão da base de consumo doméstico. Fundada em Curitiba em 1901, a Leão completa 125 anos em 2026.
Erva-mate vira aposta de internacionalização
A Leão opera há 18 meses em seis mercados externos e intensifica o foco nas exportações de erva-mate brasileira para 2026. A estratégia posiciona o ingrediente como ativo de origem exclusivamente brasileira em mercados com crescente demanda por bebidas naturais e funcionais.
“É um produto brasileiro tal qual o açaí, o guaraná da Amazônia. São produtos que a gente pode dizer que são proprietários do nosso Brasil”, destacou Corrêa.
Com R$ 160 milhões investidos entre os últimos quatro anos e o horizonte até 2030, a previsão é dobrar de tamanho em menos de cinco anos em um setor que, pelo consumo per capita, ainda tem largo espaço para crescer no Brasil.


