O Espírito Santo consolidou nos últimos anos uma infraestrutura logística que o coloca entre os principais hubs de distribuição do país: grandes corredores rodoviários, investimentos expressivos em portos privados e uma posição geográfica que facilita o escoamento de cargas de alto valor para todo o Brasil. É nesse contexto que a GWM (Great Wall Motors, montadora chinesa de capital 100% privado e hoje uma das maiores fabricantes de SUVs da China) escolheu Aracruz como sede de sua segunda fábrica nas Américas, com investimento previsto de R$ 10 bilhões. A unidade nasce com mais etapas de fabricação do que a planta já em operação no interior de São Paulo e com função estratégica definida: transformar o Espírito Santo na base de exportação da montadora para toda a América Latina.
Porto de Vitória já operava como ponto de entrada dos veículos GWM no Brasil
Antes do anúncio de Aracruz, o Espírito Santo já fazia parte da cadeia logística da GWM: todos os veículos comercializados pela montadora no Brasil chegam pelo Porto de Vitória. A escolha não é casual: o porto capixaba é hoje um dos principais terminais de importação do país, com estrutura consolidada para movimentação de cargas de alto valor e corredores rodoviários que facilitam a distribuição nacional. Foram 42 mil unidades escoadas por essa rota em 2024.
“Os nossos carros chegam hoje pelo Porto de Vitória, então é importante que a gente já conheça o estado. O potencial logístico — aliás, mais do que potencial, a realidade logística que o estado construiu: grandes corredores, investimentos fortes em portos privados, infraestrutura rodoviária, o deslocamento, a facilidade de você escoar os veículos”, afirmou Ricardo Bastos, diretor de Assuntos Institucionais da GWM no Brasil.
Fábrica de Aracruz nasce com mais etapas de fabricação e foco em engenharia local
Na unidade de Iracemápolis, SP, 100% da solda e da construção da carroceria, a pintura e a montagem final já são realizadas no Brasil. A planta de Aracruz prevê etapas adicionais de fabricação, o que, na cadeia automotiva, representa maior índice de nacionalização, mais valor agregado por unidade produzida e maior geração de empregos técnicos e de engenharia.
A GWM já desenvolve no Brasil adaptações de produto voltadas ao consumidor brasileiro e latino-americano. Com a nova fábrica, essa capacidade de desenvolvimento local deve se ampliar. “Esse próximo projeto já vai nascer com algumas etapas a mais. A possibilidade de fazer mais coisas no Brasil, gerar riqueza, gerar empregos e a parte da engenharia vai ser muito importante”, disse Bastos. O anúncio de Aracruz veio menos de seis meses após a inauguração da fábrica de São Paulo. “Imagina inaugurar uma fábrica e já anunciar uma segunda com seis meses de distância — muito rápido”, completou.
Regionalização e exportação
O novo investimento no Espírito Santo carrega um conceito estratégico além da capacidade produtiva: a regionalização. A unidade brasileira da GWM opera como sede da divisão Américas da montadora, que engloba mercados do México ao Brasil.
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia coloca o mercado europeu como destino potencial para veículos produzidos no Brasil.
“Esse novo investimento vem agregar um conceito importante, que é de regionalização. A gente também olha oportunidades como a Europa. O Brasil no Mercosul acabou de assinar um acordo que está em vigor com a União Europeia, então quem sabe hoje o acesso mais à frente possa vir para o mercado europeu de veículos produzidos no Brasil”, completou o diretor.


