O mercado de restaurantes no Brasil ainda é majoritariamente analógico, mas uma empresa criada em Vitória passou a ganhar escala nesse espaço nos últimos anos. No último ano, a startup capixaba de gestão para restaurantes Yooga processou quase R$ 5 bilhões em vendas dos restaurantes clientes dentro da plataforma. Hoje, a companhia soma 7 mil clientes ativos em quase 2 mil municípios, algo próximo de 40% das cidades brasileiras.
O avanço coloca a Yooga em uma posição relevante dentro de um mercado potencial estimado em cerca de 1 milhão de restaurantes no país, boa parte ainda sem sistema de gestão digital. Na prática, a empresa tenta transformar um setor pulverizado, formado em grande parte por pequenos e médios empreendedores, em uma base digital capaz de gerar dados, eficiência operacional e novas receitas.
De Vitória para o Brasil, sem equipe comercial na rua
Fundada em Vitória pelo engenheiro Vinícius Melo, a Yooga cresceu com uma característica pouco comum para negócios de alcance nacional: toda a operação comercial é feita no modelo inside sales, ou seja, com vendas realizadas de forma remota, sem equipe de rua. O time inteiro segue baseado na capital capixaba.
“Sempre tive a preocupação de crescer de forma relevante e ser provocado por algum acionista: quero ver se tem um cliente lá em Roraima, quero ver se tem um cliente lá no Amapá”, afirmou Melo.
A proposta da plataforma é funcionar como um sistema único para donos de restaurantes. O modelo é conhecido no mercado como SaaS vertical, um software como serviço desenvolvido para uma categoria específica de negócio. No caso da Yooga, a solução cobre desde a gestão de vendas até controle de estoque, financeiro e relacionamento com o consumidor final.
Esse volume transacionado, próximo de R$ 5 bilhões em 12 meses, passou a ser também um ativo estratégico. A partir da base de restaurantes conectados à plataforma, a empresa vem estruturando novas frentes de receita em serviços financeiros e inteligência de mercado para a indústria de alimentos e bebidas.
O ano de 2025 marcou uma inflexão na trajetória da Yooga. Depois de um ciclo de crescimento acelerado, com foco em expansão, a empresa passou a direcionar mais atenção para eficiência operacional e geração de caixa.
“A gente está em um posicionamento bem robusto, capitalizado, sem diminuir a nossa capacidade de investimento e com a sensação de que existe um business bem mais maduro nas nossas mãos”, completou Melo.
A estratégia de crescimento da Yooga segue um playbook em três etapas. A primeira é vencer na categoria com um produto competitivo para donos de restaurantes. A segunda é ampliar a oferta com serviços adjacentes, de maior margem. A terceira é estender o alcance por toda a cadeia de valor, conectando indústria, consumidor final e o próprio empreendedor em um mesmo ecossistema.
É nessa etapa que a inteligência artificial começa a ganhar peso dentro da estratégia da companhia. A Yooga desenvolve produtos de entrada para capturar estabelecimentos que ainda operam sem sistema de gestão, mirando justamente a fatia mais ampla e menos digitalizada do mercado brasileiro de restaurantes.


