O Espírito Santo vai construir a maior usina de dessalinização de água do mar do Brasil. A planta será construída em Guarapari, às margens da Rodovia do Sol, na divisa com Vila Velha, e terá capacidade para transformar mais de 1.200 litros de água do mar em água potável por segundo, escala inédita no país. O investimento estimado do projeto é de R$ 1 bilhão e está na carteira da Cesan (Companhia Espírito Santense de Saneamento), dentro de um pacote total superior a R$ 10 bilhões em infraestrutura hídrica previsto para o estado.
Leilão na B3 previsto para 2027: obra deve durar até 36 meses
A lógica do projeto é usar o oceano como nova fonte de abastecimento estratégico, prioritariamente para atender a demanda industrial, liberando os recursos de água doce para o consumo da população e ampliando a segurança hídrica da Grande Vitória diante do crescimento demográfico e das variações climáticas.
A referência internacional para projetos dessa magnitude é a usina de Caldeira, no deserto de Atacama, no Chile, capaz de transformar 1,6 milhão de litros de água do Oceano Pacífico por hora para abastecer uma das regiões mais áridas do planeta. No Espírito Santo, o objetivo é diferente: o mar será usado como fonte estratégica de abastecimento, não para combater a escassez extrema.
O projeto será estruturado como concessão pública, modelo em que empresas privadas competem pelo direito de construir e operar a usina. O leilão está previsto para 2027, na B3, a Bolsa de Valores do Brasil. O prazo estimado para a conclusão das obras é de até 36 meses após a concessão.
“A expectativa da Cesan é realizar o leilão ainda em 2027. Assim que for finalizado, o projeto entrará em consulta pública e, posteriormente, seguirá para análise dos órgãos de controle”, detalha Abud. Para o presidente da Cesan, o empreendimento vai além da engenharia hídrica. “Posiciona o Espírito Santo na vanguarda nacional da inovação em saneamento e infraestrutura hídrica, consolidando o Estado como referência em planejamento de longo prazo, sustentabilidade e capacidade de atrair investimentos privados para projetos estruturantes”, afirma Abud.
A dessalinizadora integra um portfólio mais amplo de investimentos da Cesan que supera R$ 10 bilhões e inclui estações de reúso de água, barragens no Rio Jucu e plantas automatizadas de tratamento. Munir Abud, presidente da Cesan, destaca o peso estrutural do empreendimento.
“A usina de dessalinização representa um marco histórico para o Espírito Santo e para o saneamento brasileiro. Estamos falando de um investimento de aproximadamente R$ 1 bilhão em uma infraestrutura estratégica, que vai ampliar a segurança do abastecimento para a Grande Vitória nas próximas décadas. É uma iniciativa que cria uma nova fonte hídrica, independente das variações climáticas, reforçando a resiliência do Estado diante dos períodos de estiagem e do crescimento populacional”, completa.


