Três grandes apostas industriais estão redesenhando o mapa econômico do entorno de Curitiba: a multinacional sul-coreana LG, a fabricante de motores Horse e o Grupo Potencial concentram R$ 8,9 bilhões em investimentos distribuídos por três municípios paranaenses, Fazenda Rio Grande, São José dos Pinhais e Lapa, consolidando a região metropolitana da capital como um dos principais polos de atração industrial do Brasil. O movimento combina linha branca (eletrodomésticos de grande porte, como geladeiras e lavadoras), automotivo e biocombustíveis em um ciclo simultâneo de expansão que já começou a transformar o perfil econômico e demográfico das cidades envolvidas.
LG chega a Fazenda Rio Grande com R$ 2 bilhões e estimativa de mil empregos diretos
O maior símbolo do atual ciclo de investimentos é a nova fábrica da LG em Fazenda Rio Grande, segundo município que mais cresceu proporcionalmente no Brasil entre as cidades com mais de 100 mil habitantes, segundo o IBGE. Em 12 anos, a população quase dobrou, saltando de 81 mil para 148 mil habitantes. A planta, com aporte de R$ 2 bilhões e foco na produção de geladeiras da linha branca, está programada para iniciar as operações no próximo mês, com estimativa de abertura de aproximadamente mil empregos diretos, segundo a Prefeitura local.
O prefeito de Fazenda Rio Grande, Luiz Sergio Claudino, afirma que a chegada da multinacional representa um primeiro passo de um projeto mais amplo para o desenvolvimento tecnológico do município.
“Temos a alegria de abrigar a gigante LG, que irá oferecer cerca de 1.000 empregos diretos já neste primeiro momento”, afirmou.
O município agora mira a implementação da lei “Celeiro FRG”, aprovada no final de maio, que prevê incentivos para atrair startups e centros de pesquisa de alta qualificação.
Para Giancarlo Rocco, presidente da Invest Paraná, agência oficial de promoção e atração de investimentos do Governo do Estado do Paraná, o impacto da LG vai além da geração de empregos locais.
“A LG traz engenheiros que precisam falar inglês, e empresas desse porte ajudam até na melhoria do PIB da cidade”, destacou Rocco.
São José dos Pinhais consolida polo automotivo com R$ 700 milhões em linha branca e R$ 546,4 milhões em motores
Em São José dos Pinhais, dois projetos distintos reforçam a vocação industrial do município. A Electrolux completa um ano de operação de sua primeira fábrica 100% sustentável no continente americano, um projeto de R$ 700 milhões que movimenta dois mil empregos diretos e indiretos. A prefeita Nina Singer destaca que a localização estratégica da cidade, a infraestrutura logística e a presença do Aeroporto Internacional Afonso Pena são diferenciais competitivos que atraem esse perfil de investimento.
“Somos uma cidade com mais de 349 mil habitantes, uma das maiores economias do Paraná”, afirmou.
No setor automotivo, a fabricante de motores Horse anunciou um aporte de R$ 546,4 milhões que integra um ciclo global previsto até 2028, com montante acumulado estimado em R$ 865,7 milhões. O cronograma já realizou R$ 100 milhões em 2023 para a linha de motores de alta eficiência e R$ 200 milhões em 2024 para a fabricação de cabeçotes de alumínio. O início das operações desta última linha está previsto para outubro de 2026.
Cleverson Rabito, diretor de operações da Horse Powertrain no Brasil, posiciona o investimento dentro de uma estratégia global.
“A ampliação da nossa capacidade produtiva na planta de São José dos Pinhais reconhece a importância crescente do Brasil para a Horse Powertrain e para a indústria automotiva global. Isso nos ajudará a otimizar nossa cadeia de suprimentos e reforçar ainda mais o papel da região como um centro de inovação automotiva”, afirmou Rabito.
R$ 6 bilhões na Lapa até 2030: Grupo Potencial projeta R$ 20 bilhões em faturamento anual
Na cidade da Lapa, o Grupo Potencial realiza o maior ciclo de investimentos de sua história. A previsão é de injetar R$ 6 bilhões na unidade até 2030, com faturamento projetado de R$ 20 bilhões anuais e estimativa de R$ 6,3 bilhões aplicados na economia regional por meio da aquisição de grãos para a produção industrial. A escala do investimento já alterou o perfil socioeconômico do município, posicionando a Lapa como referência nacional na produção de biocombustíveis.
O prefeito da Lapa, Diego Ribas, reconhece a transformação em curso.
“Hoje somos a Capital Nacional dos Biocombustíveis, aqui se produz energia limpa e renovável”, afirmou. Para ordenar o crescimento industrial, a prefeitura criou um comitê técnico voltado exclusivamente para a avaliação de novos investidores. “A longo prazo, seremos um dos maiores polos industriais do Paraná”, projetou Ribas.


