O Espírito Santo consolidou sua posição como principal hub brasileiro para a nacionalização de aeronaves, e uma empresa capixaba está no centro desse movimento. Nos últimos 12 meses, a trading Superia nacionalizou 47 aviões, que juntos somam US$ 66,7 milhões em operações — cerca de R$ 411,6 milhões na cotação atual. O desempenho representa um recorde para a empresa e reforça a importância do Estado na logística e no comércio exterior da aviação executiva.
Hoje, aproximadamente 80% das aeronaves importadas e nacionalizadas no Brasil entram pelo Espírito Santo. Na prática, isso significa que, de cada dez aviões que chegam ao país, oito passam pelo Estado antes de serem entregues aos proprietários. A liderança é resultado da combinação entre eficiência logística, expertise em comércio exterior e um ambiente tributário que tornou o Espírito Santo referência nacional nesse tipo de operação.
A Superia é uma das principais tradings do Brasil e figura entre as maiores empresas de capital capixaba. Ao longo do último ano, a companhia conduziu a nacionalização de dezenas de aeronaves para clientes de diferentes regiões do país, em um mercado impulsionado pelo crescimento da aviação executiva e pelo aumento da demanda por mobilidade corporativa.
Entre os modelos mais frequentes nas operações está o Cirrus, uma das aeronaves monomotoras mais vendidas do mundo. O avião é conhecido por incorporar um sistema de paraquedas balístico, tecnologia que amplia a segurança em situações de emergência. Com preço em torno de US$ 1 milhão, tornou-se uma alternativa cada vez mais utilizada por empresários, executivos e operadores da aviação privada.
O avanço das importações acompanha a expansão da própria aviação de negócios no país. Segundo dados do setor, a frota brasileira de aeronaves executivas alcançou 11.239 unidades no último ano, crescimento de 6,5% em relação ao período anterior. No segmento dos jatos executivos, a expansão foi ainda mais intensa, chegando a 17% em apenas um ano.
Para especialistas do mercado, o Espírito Santo conquistou esse protagonismo graças à estrutura logística construída ao longo das últimas décadas e ao desenvolvimento de um ecossistema especializado em comércio exterior. A presença de tradings experientes, operadores logísticos e serviços voltados à nacionalização de bens de alto valor agregado fez do Estado uma referência nacional para importações complexas, consolidando uma vocação que vai muito além da movimentação de cargas tradicionais.
Mais do que movimentar centenas de milhões de reais em importações, esse segmento fortalece a posição estratégica do Espírito Santo como plataforma logística para negócios internacionais e amplia a participação da economia capixaba em operações de alto valor agregado, reforçando seu papel como um dos principais hubs de comércio exterior do país.


