O setor de tecnologia de Santa Catarina pode chegar a R$ 238,9 bilhões de faturamento anual em 2066 – número 4,8 vezes o estimado para 2026, segundo o estudo Efeito ACATE 2066, encomendado pela Associação Catarinense de Tecnologia (Acate). A projeção coloca Santa Catarina na disputa por uma posição entre os cinco maiores ecossistemas de tecnologia e inovação do planeta, com impacto acumulado estimado em R$ 14 trilhões na economia estadual ao longo do período
Participação do setor no PIB deve mais que dobrar, aponta estudo
Com faturamento atual de R$ 42,5 bilhões por ano, 100,4 mil empregos e participação de 7,75% no PIB estadual: é sobre essa base que o Efeito ACATE 2066 projeta a expansão. Até 2066, a participação do setor no PIB de SC deve mais que dobrar, chegando a 17,9%, com 304 mil empregos diretos e 1,4 milhão de vagas indiretas.
Segundo o estudo, cada real gerado pelo setor produz um impacto de R$ 2,40 na produção total da economia de SC, multiplicador que se traduz em R$ 1,1 trilhão em arrecadação fiscal direta e R$ 11,1 trilhões em renda para as famílias catarinenses até 2066. A pesquisa projeta ainda a criação de 163 ‘unicórnios’ (empresas com mais de US$ 1 bilhão de receita anual) originados em Santa Catarina ao longo do período.
A Acate enquadra o estudo como uma declaração de intenção coletiva, um convite formal a governo, universidades, empresas e investidores para se comprometerem com uma trajetória de longo prazo.
“Quando olhamos para trás, vemos que o que parecia improvável se tornou realidade porque fomos capazes de construir juntos. O Efeito ACATE nasce desse mesmo espírito. Não é uma promessa de uma entidade, é um compromisso de um ecossistema inteiro. Santa Catarina tem as condições, a história e a cultura para ser uma referência mundial em inovação”, afirma Diego Brites Ramos, presidente da Acate.
Onda 1 começa agora: IA generativa é o motor do primeiro ciclo
A trajetória projetada está organizada em oito ciclos de cinco anos cada, alinhados a tendências tecnológicas globais. O primeiro, entre 2026 e 2031, foca na massificação da inteligência artificial generativa, com o objetivo de transformar o ecossistema catarinense de “maduro” para “acelerado”, criando a infraestrutura de dados, talentos e capital que sustentará os ciclos seguintes. Os próximos ciclos avançam por computação quântica, convergência bio-digital, neurotecnologia e economia espacial, até chegar ao ciclo final, entre 2061 e 2066, chamado de inteligência planetária: o período em que SC projeta figurar entre os cinco maiores ecossistemas de inovação do mundo.
Para dar suporte ao primeiro ciclo, a Acate anunciou a criação de uma diretoria exclusiva de inteligência artificial na nova gestão. “Nós vamos criar na Acate, nessa nova gestão, uma diretoria só de inteligência artificial. O objetivo é ajudar as nossas empresas nessa transformação que a gente acredita que vai ser a maior da história da humanidade. Ela vai impactar também diretamente e profundamente modelos de negócios do setor de tecnologia”, afirma Diego Brites Ramos.
Talentos: o principal gargalo para sustentar o crescimento
O estudo reforça que a disputa por profissionais qualificados será o principal desafio do setor nas próximas décadas, desafio que já é sentido no presente com o avanço acelerado da inteligência artificial pressionando a demanda por novos perfis técnicos em velocidade superior à oferta disponível no mercado. “O crescimento do setor de tecnologia em Santa Catarina só será sustentável se conseguirmos formar, atrair e reter talentos na mesma velocidade em que as empresas crescem. Não existe transformação digital sem pessoas preparadas para conduzi-la”, destaca Moacir Marafon, vice-presidente de Talentos da Acate.


