O boom do bem-estar deixou de ser apenas comportamento de consumo e virou tese de expansão empresarial. Fundada no Espírito Santo, a rede Wellness Club prepara um novo salto com investimento de R$ 150 milhões até o final de 2027, em um plano que prevê 48 novas unidades até o ano que vem, sendo 30 no mercado capixaba e 18 distribuídas entre Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais e São Paulo. A meta é levar a rede, hoje com 23 operações, à marca de 100 unidades até 2030. O movimento acontece em um mercado que ganhou musculatura no Brasil: a economia do bem-estar do país já movimenta US$ 96 bilhões (cerca de R$ 500 bilhões na cotação atual) e coloca o Brasil como líder da América Latina nesse segmento.
Da musculação ao recovery, meta é chegar a 100 unidades até 2030
A expansão da Wellness acompanha uma mudança mais ampla no setor. O número de centros de atividade física no Brasil quase triplicou em dez anos, saltando de 19.266 em 2014 para 56.833 em 2024, segundo um panorama setorial elaborado pela EY e a Armatore Market + Science. O mesmo estudo mostra que saúde física e saúde mental aparecem entre os principais motores da prática de atividade física no país, reforçando que a academia deixou de ser vista apenas como espaço de treino e passou a ocupar um lugar mais amplo na rotina de autocuidado, socialização e qualidade de vida.
É exatamente nessa transição que a Wellness quer ganhar escala. Fundada em 2010 por Leon Sayegh e João Paulo Máximo, a rede soma atualmente 23 operações, das quais 20 estão no Espírito Santo. A base atual é de cerca de 60 mil alunos, com meta de chegar ao fim deste ano com 100 mil clientes e encerrar 2027 com cerca de 180 mil. Só neste ano, a companhia prevê 28 aberturas, sendo 20 no Espírito Santo, um avanço que reforça o peso do mercado capixaba como principal plataforma de crescimento da empresa.
Na avaliação de Leon Sayegh, a expansão combina uma oportunidade de mercado com um posicionamento construído ao longo do tempo.
“A gente juntou o útil ao agradável, ou seja, esse movimento que vem acontecendo com o que a gente já vem construindo desde 2010. Desde o pós-pandemia, ali a partir de 2022, o nosso mercado vai crescendo 2 dígitos por ano. E aí a gente pegou essa oportunidade de crescimento e consolidou a nossa expansão. A gente tem previsto aí 100 unidades até 2030”, afirmou.
Mais do que abrir academias, a companhia quer transformar a operação em um ecossistema de serviços ligados à saúde e ao bem-estar. Hoje, as unidades já operam com cerca de 200 aulas coletivas por mês, além de modalidades como spinning, pilates, ioga e dança. Nas novas unidades, a rede pretende avançar em frentes de maior valor agregado, com áreas de recovery, incluindo banheira de gelo e massagem; bootcamp (treinamento funcional de alta intensidade); lojas próprias para venda de suplementos e produtos de saúde; e máquinas com água com gás, whey e pré-treino.
Leon resume essa ambição como uma expansão da cultura, e não só de metragem. “A gente não está apenas crescendo. A gente está construindo um legado”, disse. Segundo ele, o objetivo é levar para novos mercados o que a marca considera seu principal diferencial. “O nosso principal diferencial é esse: cuidar de gente”, completa.
Essa lógica aparece também na tentativa de posicionar a Wellness menos como academia tradicional e mais como marca de comunidade. “A Wellness tem esse sentimento de comunidade e pertencimento. A gente costuma falar que existem as tribos: a da musculação, a da ioga, a da bicicleta, a da dança… Isso é uma coisa que eu acho que a gente faz muito bem”, completou o fundador.


