A Portos RS, empresa pública responsável pela gestão dos portos públicos do Rio Grande do Sul desde 2022, projeta encerrar 2026 com o maior volume de investimentos em infraestrutura marítima desde o início de sua gestão: R$ 583,7 milhões desembolsados ao longo do ano, sendo R$ 319,1 milhões destinados exclusivamente ao setor marítimo do Porto de Rio Grande. O montante consolida um ciclo de R$ 1,194 bilhão aplicados na infraestrutura hidroviária gaúcha entre 2022 e o fim deste ano, e tem como principal motor a recuperação dos canais de navegação afetados pela cheia de 2024, financiada pelo Funrigs (Fundo de Reconstrução do Rio Grande do Sul).
R$ 314,2 milhões só em dragagem: calado do Porto de Rio Grande será concluído em 2026
A maior fatia dos investimentos deste ano está concentrada nas dragagens do Porto de Rio Grande, que consomem R$ 314,2 milhões, ou 98% de tudo o que a Portos RS destina à estrutura marítima em 2026. Esse desembolso encerra o contrato em execução na área portuária e integra o pacote de R$ 731 milhões liberados pelo Funrigs para a recuperação completa dos canais de navegação gaúchos após os danos causados pela enchente.
Além da conclusão desse contrato, a empresa prevê a complementação de dois lotes de dragagens em canais internos já em andamento e a abertura de licitações para outros quatro canais, com R$ 60,1 milhões reservados para essas frentes ainda em 2026.
Para Cristiano Klinger, presidente da Portos RS, garantir o calado dos canais é condição básica para a atração de novos negócios.
“Garantir o calado para operações, seja no porto marítimo ou nos canais internos e na Lagoa dos Patos, é fundamental para a competitividade do modal hidroviário do Rio Grande do Sul. É uma prioridade que garante a atração de novos investimentos em cargas, indústrias e operações portuárias no Estado”, aponta Klinger.
Lagoa dos Patos volta a navegar à noite após 40 anos de interrupção
Além das dragagens, a Portos RS destina R$ 74 milhões em 2026 aos canais da hidrovia interna, que abrange a Lagoa dos Patos, as regiões dos portos de Pelotas e Porto Alegre, o Delta do Jacuí e os rios dos Sinos, Gravataí e Caí. Os recursos cobrem dragagens, monitoramento e sinalização náutica, ações que já permitiram a retomada da navegação noturna na Lagoa dos Patos, interrompida há mais de quatro décadas.
Em Rio Grande, outros R$ 4,9 milhões complementam os aportes em sinalização náutica, estruturas de atracação e na implementação do sistema VTS (sistema de monitoramento de alta tecnologia para controle do tráfego hidroviário), que amplia a segurança e a eficiência das operações no porto marítimo.
Concessão das hidrovias pode resolver o ciclo permanente de dragagens
Um dos desafios estruturais identificados pela Portos RS é que a necessidade de dragagens não é pontual: os canais demandam manutenção contínua e, no modelo atual, cada intervenção exige a abertura de um novo processo licitatório. Para Klinger, a solução pode estar na proposta de concessão das hidrovias em análise pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), encaminhada pelo Governo Federal.
“Toda a vez que é preciso fazer batimetrias, dragagens e garantir segurança para a navegação, hoje, é preciso abrir um processo licitatório, que torna tudo moroso e mais caro para o Estado, além de não garantir segurança a quem quer operar neste modal no Rio Grande do Sul. Um contrato de longo prazo para executar esses serviços pode ser uma solução eficiente”, afirma o dirigente.
Porto Alegre recebe R$ 40 milhões para recuperação; Rio Grande ganha requalificação de 2,5 mil hectares no Distrito Industrial
Fora do setor marítimo, a Portos RS concentra aportes relevantes na infraestrutura terrestre dos três portos públicos gaúchos. Em Porto Alegre, R$ 40 milhões garantidos pelo Funrigs serão destinados à recuperação e modernização do porto, com licitação em fase final de preparação. O valor se soma a outros R$ 20,5 milhões em recursos próprios já em execução para melhorias gerais na infraestrutura terrestre do sistema portuário.
Em Rio Grande, o destaque é o início do desembolso de R$ 130 milhões para a requalificação do Distrito Industrial, com foco na recuperação das vias internas e na estruturação de terrenos ainda não ocupados. Nesta primeira fase, os recursos cobrem metade da área total do Distrito, que soma 2,5 mil hectares.
Com os R$ 583,7 milhões previstos para 2026, a Portos RS supera os R$ 214 milhões investidos em 2025 e encerra o ciclo emergencial de recuperação pós-cheia iniciado com os recursos do Funrigs.


