O projeto da ferrovia que pretende ligar Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, a Correia Pinto, na Serra Catarinense, segue em fase avançada de planejamento, mas ainda enfrenta entraves antes do início das obras. Considerada uma das iniciativas mais ambiciosas em infraestrutura no Estado, a proposta prevê um traçado de 319 quilômetros, passando por municípios como Campos Novos, Joaçaba e Irani.
Além da linha principal, o projeto também contempla a implantação de terminais estratégicos para captação de carga, voltados principalmente à produção agroindustrial da região.
Quando a ferrovia de Santa Catarina deve ser concluída?
De acordo com o secretário de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias, Ivan Amaral, o projeto já alcançou cerca de 80% de execução. A previsão é de que o projeto seja concluído até agosto deste ano. A partir disso, o próximo passo será a elaboração do projeto executivo e a estruturação de uma concessão à iniciativa privada, que deve incluir tanto a construção quanto a operação da ferrovia.
Com custo estimado em cerca de US$ 2 bilhões, aproximadamente R$ 11 bilhões, o governo estadual já iniciou tratativas com investidores internacionais. “A ideia é que haja concessão. Já tivemos reuniões com investidores chineses e árabes interessados em executar e operar o projeto”, afirma o secretário.
Apesar do avanço técnico, ainda não há previsão para o início das obras, justamente pela necessidade de definição da modelagem e da fonte de recursos.
Quais os entraves que dificultam a construção?
Durante a elaboração do projeto, um dos principais desafios foi o acesso às áreas para realização das sondagens, o que impactou o cronograma inicial. Outro entrave considerado decisivo é a situação da chamada Malha Sul, ferrovia já existente que liga o Rio Grande do Sul a São Paulo e que atualmente está sem operação. A conexão com esse trecho é vista como essencial para viabilizar o novo projeto.
Os estados do Sul, juntamente com Mato Grosso do Sul, articulam junto ao Governo Federal uma alternativa para viabilizar uma concessão unificada da malha. A atual concessão, sob responsabilidade da Rumo Logística, vence em 2027.
“O modelo apresentado pelo Governo Federal não nos agradou, porque nenhuma empresa terá interesse se não houver garantia de passagem entre estados”, completa.
Ferrovia é aposta importante: reduzir custos e impulsionar o agro
A ferrovia é considerada estratégica para o desenvolvimento econômico de Santa Catarina, especialmente para o Oeste, onde a produção de aves, suínos e grãos depende majoritariamente do transporte rodoviário.
Atualmente, o Estado conta com seis portos e projeta ampliar essa estrutura até 2030. No entanto, o escoamento da produção ainda depende das rodovias, como a BR-101, que já apresenta sinais de saturação.


