Existe uma cidade no Sul do Brasil onde um quarto de tudo que se produz vem de linhas de código e onde a venda de imóveis cresceu 97% em um único ano. Não são coincidências isoladas — são faces da mesma moeda. Bem-vindos à coluna Bricks & Bytes, um espaço quinzenal para explorar a convergência entre real estate e tecnologia, com os pés na ilha que virou laboratório nacional dessa fusão.
Os números impressionam quando vistos separadamente.
No setor imobiliário, Florianópolis liderou todas as capitais brasileiras no primeiro semestre de 2025, com alta de 367% no valor geral de lançamentos segundo a ABRAINC, metro quadrado acima de R$ 12 mil e um VGV trimestral de R$ 1,6 bilhão. Na tecnologia, a cidade é a capital com maior representatividade do setor no PIB municipal do país: 25%, com faturamento de R$ 12 bilhões gerados por 6,1 mil empresas e 38 mil empregos diretos, conforme dados da Rede de Inovação. Reconhecida em 2024 como Capital Nacional das Startups e destacada no Global Startup Ecosystem Report 2025, Florianópolis aparece como referência entre hubs de inovação de médio porte no mundo.
Mas o mais interessante é como essas duas indústrias se retroalimentam.
O ecossistema tech atrai profissionais qualificados com alta renda e hábitos de consumo que privilegiam localização, praticidade e experiência — exatamente o perfil que impulsiona studios e unidades compactas, segmento que já representa 35% do estoque da cidade. Em sentido inverso, a valorização imobiliária e a qualidade de vida funcionam como vantagem competitiva para reter talentos em uma guerra global por desenvolvedores. Enquanto Santa Catarina projeta atingir 140 mil empregos em tecnologia e R$ 68 bilhões de faturamento até 2030, o mercado imobiliário local segue surfando essa onda de demanda. Tijolos e bytes, aqui, não competem — conspiram juntos.
Nesta coluna, vamos mergulhar nessa interseção. Desde proptechs que estão mudando a forma como compramos, vendemos e gerimos imóveis, até o impacto que a inteligência artificial terá sobre avaliações, contratos e canteiros de obra. Da pressão por moradia acessível em uma ilha que atrai nômades digitais do mundo inteiro, aos dilemas de um plano diretor que precisa equilibrar crescimento e preservação. Bricks & Bites nasce da convicção de que entender o futuro do real estate exige falar de tecnologia — e vice-versa. Nos vemos em quinze dias.


