Enquanto o debate econômico brasileiro costuma se concentrar nas dificuldades estruturais do país, uma transformação silenciosa vem ocorrendo nas economias regionais. Longe do eixo tradicional de decisões e análises, alguns estados brasileiros têm conseguido avançar de forma consistente em competitividade, atração de investimentos e crescimento econômico. É a partir dessa constatação que surge o conceito das Onças Brasileiras, utilizado pela Apex Partners para identificar estados que vêm combinando responsabilidade fiscal, dinamismo produtivo e capacidade de gerar oportunidades econômicas mesmo em um ambiente nacional complexo.
Os números ajudam a entender esse movimento. Em 2023, o Brasil cresceu cerca de 3%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Embora positivo, o dado nacional mascara diferenças importantes entre as economias regionais. Diversos estados vêm registrando ciclos de expansão mais robustos, impulsionados principalmente pela força do agronegócio, pela diversificação industrial e pela crescente integração às cadeias globais de produção.
Durante o painel “A agenda das Onças Brasileiras”, que tive a oportunidade de mediar no evento Brazilian Regional Markets (BRM), essa dinâmica ficou evidente nas experiências apresentadas pelos governadores Eduardo Leite e Ronaldo Caiado. O Rio Grande do Sul responde por aproximadamente 6% do PIB brasileiro e possui uma das economias mais diversificadas do país, com cadeias produtivas relevantes na agroindústria, na indústria metalmecânica e no setor de alimentos. Nos últimos anos, reformas fiscais e administrativas buscaram reorganizar as contas públicas e ampliar a previsibilidade institucional — um fator determinante para decisões de investimento.
Já Goiás consolidou-se como um dos polos econômicos mais dinâmicos do Centro-Oeste. O estado ampliou sua participação nas exportações brasileiras e se fortaleceu como um hub logístico e agroindustrial, refletindo uma estratégia de desenvolvimento baseada em eficiência administrativa e integração produtiva.
A principal lição das chamadas Onças Brasileiras é simples, mas poderosa: o Brasil não cresce de maneira uniforme. O país tornou-se cada vez mais regionalizado do ponto de vista econômico, e estados que conseguem combinar responsabilidade fiscal, segurança jurídica e visão estratégica passam a ocupar posição privilegiada na atração de investimentos. Para investidores, empresas e formuladores de políticas públicas, compreender essa transformação é essencial. Afinal, muitas vezes o Brasil que mais cresce não está no centro das manchetes — está nas regiões que decidiram competir.


