Um investimento de R$ 30 milhões está posicionando Pinhalzinho, no Oeste de Santa Catarina, como o principal polo tecnológico da cadeia leiteira brasileira. O Núcleo de Ciência, Tecnologia e Inovação do Leite (NCTI – centro de pesquisa, análise e desenvolvimento aplicado ao setor lácteo), vinculado à UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina), vai instalar um laboratório de quase 4 mil metros quadrados em três pavimentos na unidade avançada da Udesc Oeste. O movimento acontece em um estado que já ocupa a quarta posição entre os maiores produtores nacionais, com mais de 3 bilhões de litros por ano e 80% do volume concentrado exatamente na região Oeste.
Santa Catarina envia amostras para outros estados há uma década: isso muda com o NCTI
A ausência de infraestrutura certificada para análise do leite dentro do próprio estado é uma reivindicação do setor que existe há cerca de uma década. Sem laboratório credenciado junto ao MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), produtores e agroindústrias catarinenses precisam enviar amostras para estruturas no Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo. Com o NCTI em operação, Santa Catarina passará a certificar internamente a qualidade de seus próprios produtos, eliminando custos logísticos e reduzindo o tempo de resposta para toda a cadeia.
A estrutura foi projetada para atuar em três frentes: o Laboratório da Qualidade do Leite, voltado à análise e certificação conforme legislação vigente; o Laboratório de Pesquisa e Inovação em Leite e Derivados, equipado com tecnologia de ponta para estudo de componentes e processos; e uma Indústria de Lácteos em escala piloto, destinada a treinamentos, desenvolvimento de novos produtos e formação de mão de obra especializada.
O prédio já está concluído. A ativação depende de obras complementares de infraestrutura hidráulica e elétrica para instalação dos equipamentos. “Estamos acionando a Celesc, como nossa parceria, para nos ajudar com sua expertise técnica e agilizar a solução do problema”, afirmou José Fragalli, reitor da Udesc.
Aurora processa 2,6 milhões de litros por dia; com Tirol e NCTI, Pinhalzinho projeta 5 milhões
O laboratório da Udesc não é o único vetor de transformação em curso no município. Pinhalzinho vive uma expansão industrial no setor lácteo que pode levar a cidade a processar cerca de 5 milhões de litros de leite por dia, número considerado inédito no Brasil. Atualmente, a Aurora Coop já processa aproximadamente 2,6 milhões de litros diários, enquanto a Tirol amplia suas instalações para atingir 1,4 milhão de litros por dia. A combinação entre capacidade industrial instalada e infraestrutura científica credenciada coloca Pinhalzinho em posição singular no mapa do agronegócio nacional.
O projeto fortalece ainda a chamada Rota de Integração do Leite na faixa de fronteira catarinense, que envolve 82 municípios responsáveis por cerca de 80% da produção estadual.
Brasil é o quinto produtor mundial; Santa Catarina responde por 9% do total nacional
O contexto macro reforça a relevância estratégica do investimento. O Brasil é o quinto maior produtor de leite do mundo, responsável por aproximadamente 4% da produção global e 55% de toda a produção da América do Sul, segundo dados da Epagri/Cepa. Santa Catarina ocupa hoje a quarta posição no ranking nacional, com produção superior a 3 bilhões de litros por ano e participação de cerca de 9% no total brasileiro.
A previsão é que o NCTI entre em plena operação após a conclusão das adequações elétricas e hidráulicas, etapa que a Udesc trabalha para concluir.


