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Minerais críticos para quem?

  • 24 março, 2026

Por Fábio Cruz, vice-presidente da Centrorochas (Associação Brasileira de Rochas Naturais)

Nos últimos anos, o debate global sobre minerais críticos ganhou enorme relevância. Governos passaram a tratar determinadas matérias-primas não apenas como commodities, mas como ativos estratégicos para a segurança econômica e industrial das nações. Lítio, terras raras, níquel e cobre tornaram-se presença constante nas discussões sobre transição energética, tecnologia e competição geopolítica. Mas uma pergunta raramente aparece nesse debate: críticos para quem?

Grande parte das listas de minerais críticos concentra-se em recursos metálicos associados à indústria tecnológica. No entanto, cada economia possui cadeias produtivas próprias e necessidades estratégicas distintas. Em alguns casos, isso inclui também minerais não metálicos essenciais para setores estruturais da atividade econômica.

Nos Estados Unidos, por exemplo, um dos pilares mais relevantes da economia é o setor de construção residencial. A construção e a reforma de residências movimentam uma extensa cadeia produtiva, geram milhões de empregos e influenciam diretamente o ciclo econômico do país. Dentro dessa dinâmica, materiais utilizados em pisos, revestimentos e superfícies fazem parte da infraestrutura cotidiana das cidades. Entre eles estão as rochas naturais.

Embora raramente apareçam nas discussões tradicionais sobre minerais estratégicos, esses materiais sustentam uma parte importante da cadeia da construção. É justamente nesse contexto que o Brasil ocupa uma posição singular.

O setor brasileiro de rochas naturais movimenta cerca de R$ 15 bilhões por ano, com metade dessa atividade voltada ao mercado externo e metade ao mercado doméstico. Embora o Espírito Santo concentre um arranjo produtivo altamente organizado, responsável por aproximadamente 80% do processamento de blocos em chapas, a mineração está presente em diversas regiões do país, gerando empregos e atividade econômica em áreas muitas vezes distantes dos grandes centros urbanos.

No mercado internacional, a presença brasileira também é significativa. Cerca de 85% da pedra natural consumida nos Estados Unidos é importada, e o Brasil é hoje o principal fornecedor desse mercado. Parte dessa dinâmica se explica por fatores estruturais: os Estados Unidos não possuem produção doméstica suficiente para atender à sua demanda, e muitas das rochas disponíveis no país são historicamente direcionadas a obras públicas, fachadas de edifícios ou monumentos.

Já as rochas brasileiras conquistaram espaço sobretudo em projetos residenciais e de alto padrão. Bancadas, revestimentos e superfícies produzidas a partir de granitos, mármores e quartzitos brasileiros tornaram-se presença constante em residências americanas, especialmente em reformas e novos projetos de construção.

Outro aspecto importante dessa relação comercial é a forma como a cadeia produtiva se organiza. Grande parte das exportações brasileiras chega aos Estados Unidos na forma de produtos semiacabados, utilizados como insumo pela própria indústria americana de beneficiamento e fabricação de superfícies.

Trata-se, portanto, de uma cadeia produtiva integrada. A pedra processada no Brasil alimenta uma indústria instalada nos Estados Unidos, responsável pelas etapas finais de corte, acabamento, fabricação e instalação em projetos residenciais e comerciais. Esse processo gera valor agregado, empregos e atividade econômica dentro do próprio território americano.

Em um momento em que cadeias de suprimento estão sendo reavaliadas em todo o mundo, essa complementaridade produtiva ganha relevância estratégica. Nos últimos anos, documentos de política pública e segurança econômica nos Estados Unidos passaram a destacar a importância de cadeias produtivas resilientes e de parcerias confiáveis, especialmente dentro do Hemisfério Ocidental.

A própria geologia ajuda a explicar por que o Brasil ocupa uma posição tão relevante nesse cenário. Alguns países tornaram-se conhecidos mundialmente por determinados tipos de rocha — a Itália e a Grécia por seus mármores, a Índia por seus granitos, Portugal e França por seus limestones, o Irã por seus onyx. O Brasil, por sua vez, reúne uma diversidade geológica singular. Granitos, mármores, quartzitos, ardósia, pedra-sabão e até pedras semipreciosas fazem parte de um patrimônio mineral extremamente variado.

Não por acaso, o país é frequentemente citado como um dos territórios com maior geodiversidade do planeta e também como o maior produtor mundial de quartzito, uma rocha que tem conquistado crescente espaço em projetos de arquitetura e design de interiores ao redor do mundo.

Há ainda um outro elemento relevante nesse debate: sustentabilidade. Em comparação com diversos materiais industrializados utilizados na construção, a pedra natural apresenta características ambientais importantes. Seu processo produtivo envolve menor transformação industrial e seu ciclo de vida é extremamente longo. Em muitas aplicações arquitetônicas, trata-se de um material capaz de atravessar décadas, ou até séculos.

Nos últimos meses, representantes do setor brasileiro têm participado de diálogos institucionais nos Estados Unidos com congressistas, think tanks, associações empresariais e câmaras de comércio. O objetivo é ampliar a compreensão sobre o papel das rochas naturais dentro da cadeia da construção e fortalecer o diálogo econômico entre dois países que já mantêm uma relação comercial sólida nesse segmento.

Essas discussões começam agora a aparecer também em fóruns mais amplos dedicados a minerais críticos e cadeias de suprimento estratégicas. Não porque as rochas naturais substituam minerais utilizados em baterias ou tecnologias avançadas, mas porque fazem parte de algo igualmente essencial: a infraestrutura que sustenta o crescimento das cidades.

Talvez seja hora, portanto, de ampliar um pouco a pergunta sobre o que realmente define um mineral crítico.

Porque, além daqueles que alimentam turbinas, semicondutores e baterias, existem também os minerais que constroem casas, cidades e comunidades inteiras.

E nesse terreno, o Brasil reúne algo raro: recurso mineral, diversidade geológica, capacidade industrial e uma cadeia empresarial preparada para crescer. Com planejamento e coordenação estratégica, o setor acredita ser plenamente possível alcançar US$ 3 bilhões em exportações até 2030, ampliando ainda mais a integração produtiva entre Brasil e Estados Unidos.

Talvez seja justamente aí que começa a próxima etapa desse debate.

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