Vargeão é um pequeno município do Oeste catarinense, com menos de 4 mil habitantes. Mas foi ali, às margens da BR-282 e perto de grandes agroindústrias, que a Nestlé decidiu fazer um dos maiores investimentos privados já realizados no estado de uma só vez: R$ 2,5 bilhões. O aporte é na nova fábrica da Purina, voltada para a produção de ração úmida em sachês para cães e gatos. A unidade já nasce com vocação internacional e coloca Santa Catarina no mapa global da indústria pet premium.
Nova fábrica nasce com foco em exportações e já inicia embarques para o Chile
A produção será destinada ao mercado interno e também à exportação. E mercado não falta. O Brasil é hoje o terceiro maior mercado pet do mundo, com mais de 160 milhões de animais de estimação. Só entre cães e gatos, público da companhia, são cerca de 110 milhões.
O setor vive uma expansão consistente. O mercado pet brasileiro movimenta cerca de R$ 77 bilhões por ano, considerando alimentação, saúde, bem-estar e acessórios. A nova fábrica surge justamente para atender essa demanda crescente, especialmente na categoria premium.
Além da construção da unidade, o investimento inclui infraestrutura para impulsionar o que já é considerada a maior fábrica de alimentos pet da empresa no país, e que já tem planos de dobrar de tamanho nos próximos anos. A operação em Vargeão complementa a estrutura de Ribeirão Preto (SP), onde já são produzidos alimentos secos e petiscos.
Com perfil exportador, a fábrica iniciou as atividades já com embarques internacionais. O primeiro destino é o Chile, e há negociações em andamento com outros mercados da América Latina, como Colômbia e México.
Nos últimos anos, a Purina vem registrando crescimento de duplo dígito, acima da média do mercado. A expectativa é que a nova unidade acelere ainda mais esse ritmo. Segundo Marcelo Melchior, presidente da operação brasileira, a Nestlé Brasil fatura cerca de 4 bilhões de francos suíços por ano – algo em torno de US$ 5 bilhões, equivalente a R$ 30 bilhões.
A fábrica de Vargeão também já nasce com o conceito de Indústria 4.0. Conta com tecnologia proprietária capaz de criar texturas semelhantes às fibras da carne, linhas de produção de última geração, Centro de Operações Integradas, robôs nas áreas de envase e embalagem, além de soluções de Internet das Coisas (IoT) e inteligência artificial para monitoramento em tempo real.
Outro destaque é a sustentabilidade. Essa será a primeira fábrica da Purina na América Latina a operar com energia 100% renovável, tanto térmica quanto elétrica, utilizando caldeira movida a biomassa e energia proveniente de fontes limpas.


