A CL Sites S.A, subsidiária integral de telecom do grupo Clemar Engenharia, vai captar até R$ 60 milhões com a Apex, plataforma de investimentos e serviços financeiros que opera nos mercados regionais, por meio de debêntures incentivadas – um tipo de título de renda fixa isento de imposto de renda usado para financiar infraestrutura. A operação reforça uma tendência que vem ganhando força no Brasil: empresas que prestam serviços essenciais, como telecom, usando o mercado de capitais para acelerar investimento sem depender apenas de bancos, justamente num momento em que o avanço do 5G aumenta a necessidade de novas antenas e estruturas de rede pelo país.
Expansão do 5G exige ampliação da infraestrutura
O pano de fundo do negócio é simples: cada nova geração de telefonia exige mais “sites” para sustentar cobertura, velocidade e capacidade. Isso pressiona investimentos e cria demanda contínua por infraestrutura física, inclusive fora das capitais. A própria dinâmica regulatória aponta nessa direção: metas de cobertura estimulam a instalação de novas estações rádio-base (ERBs), e o Brasil deve saltar de cerca de 68 mil sites em 2022 para 170 mil em 2032, o que dá a dimensão do tamanho da obra necessária para a próxima década.
É nesse cenário que a Clemar Engenharia – grupo catarinense com 55 anos, 1.117 funcionários e atuação em todo o território nacional, com obras na América do Sul desde a década de 1990 – acessa o mercado de capitais. A captação está ligada a um modelo de projetos que utiliza os recursos captados para devolver à empresa o valor que ela já investiu na construção dos equipamentos e os aluguéis mensais que as operadoras pagam por esses sites são usados como a principal fonte para pagar a dívida.
Inácio Vandresen, CEO e acionista do Grupo, diz que a decisão de acessar o mercado veio tanto do momento do setor quanto da maturidade da própria operação.
“Já tínhamos a vontade de entrar no mercado de capitais, porque o 5G transformou infraestrutura em prioridade e exige ritmo de execução. No nosso caso, são ativos em operação, com contratos e receita recorrente, o que permite planejar crescimento com previsibilidade. Ao saber que a Apex estava operando em Santa Catarina com um time local e executivos dispostos a aprofundar no entendimento do nosso potencial, decidimos por um player local”, completa Vandresen.
Para Gualtiero Schlichting, diretor de Mercado de Capitais da Apex, esse tipo de mecanismo ganha relevância quando o país entra num ciclo de investimento pesado em setores estruturantes.
“O que essa operação mostra é que infraestrutura necessita de uma estrutura de capital que vai além do ofertado pelos bancos de varejo. Quando existem contratos de longo prazo, com contraparte de primeira linha e ativos performados em operação, o mercado de capitais consegue transformar previsibilidade em funding competitivo”, explica o executivo.
O que são debêntures incentivadas, e por que elas importam
Debêntures são títulos de dívida: em vez de tomar um empréstimo bancário tradicional, a empresa capta recursos junto a investidores e se compromete a pagar juros e devolver o principal nas condições definidas. No caso das debêntures incentivadas, o diferencial é que elas foram criadas para financiar projetos de infraestrutura e, por isso, podem oferecer isenção de imposto de renda para pessoa física (e regras específicas para outros perfis), o que tende a reduzir o custo de capital para o emissor e ampliar o leque de financiamento para obras e ativos que sustentam a economia real.
“As debêntures incentivadas são ferramentas que aproximam a poupança privada da economia real. O investidor acessa um fluxo de longo prazo e a empresa destrava seu potencial, acelerando ainda mais seu crescimento. A Clemar dobrou seu Ebitda em 2025 e tem potencial para crescer muito mais, não somente na vertical de telecom mas também em outras verticais igualmente estratégicas e relevantes, com datacenters e climatização, ganham fôlego para reinvestir”, completa Schlichting.


