Fundada em 1891, a gaúcha Neugebauer alcançou, pela primeira vez em sua história, faturamento anual de R$ 1 bilhão. O marco consolida um ciclo de investimentos iniciado em 2023 — com R$ 175 milhões já aportados — e chama atenção por ter sido construído em um dos períodos mais desafiadores para a indústria do chocolate, com a crise global do cacau pressionando custos e tornando eficiência e escala ainda mais decisivas. Só em 2025, foram R$ 27 milhões de investimentos destinados à ampliação de linhas e melhorias operacionais. Para este ano, estão previstos mais R$ 10 milhões voltados à manutenção da planta modernizada.
A Neugebauer é considerada a fábrica de chocolates mais antiga do Brasil. A empresa foi fundada em 17 de setembro de 1891, em Porto Alegre, pelos irmãos alemães Franz e Max Neugebauer, ao lado de Fritz Gerhardt. Ao longo de 135 anos, atravessou mudanças tecnológicas e diferentes ciclos do consumo, preservando marcas icônicas no varejo e, agora, atingindo um patamar de escala que reposiciona a companhia no mapa da indústria nacional.
Hoje, o motor dessa virada está fora da capital. A produção está concentrada em Arroio do Meio, município de cerca de 22 mil habitantes no Vale do Taquari, conhecido como “Pérola do Vale”. Foi a partir dessa planta — no interior do Rio Grande do Sul — que a empresa sustentou o salto recente, reforçando uma tese recorrente nos mercados regionais: grandes histórias industriais seguem sendo escritas longe dos grandes centros, quando há investimento, produtividade e execução.
Capacidade dobrada e presença global
O avanço da Neugebauer nos últimos anos tem um indicador operacional claro: a capacidade produtiva dobrou no ciclo de modernização. Atualmente, a empresa produz cerca de 1,5 mil toneladas de chocolates por mês, com foco em bombons e barras — categorias que concentram volume e ganham tração em períodos sazonais como Páscoa e fim de ano.
Os aportes também incluíram novas linhas de produção para chocolates e doce de leite, com tecnologia voltada para ganhos de eficiência e ampliação de mercado. Hoje, a companhia exporta para mais de 30 países, adicionando uma camada de diversificação comercial em um setor que vem enfrentando choque de custos e disputa por margens.


