A notícia de que a Amazon estaria negociando um investimento de R$ 1 bilhão para construir um aeroporto de cargas em Guarapari movimentou o mercado capixaba nas últimas semanas. Mas, nos bastidores, a história é menos concreta do que parecia. Fontes da coluna Onças Brasileiras apontam que não há, neste momento, negociação formal consolidada com a gigante norte-americana do e-commerce. Também não há acordo assinado, protocolo de intenções ou documento oficial que coloque a Amazon como investidora ou operadora do projeto. Entenda.
Afinal, o que há de concreto?
A entrada do nome da Amazon na discussão deu escala nacional ao assunto, mas também criou uma expectativa que, até agora, não encontra lastro formal. Isso não significa, no entanto, que a história do novo aeroporto seja apenas especulação. O projeto de transferência do aeroporto de Guarapari existe, aparece no planejamento urbano do município e é tratado como uma das possibilidades para reorganizar o crescimento da cidade nas próximas décadas.
A ideia central é tirar o atual aeroporto da região próxima à Praia do Morro, uma das áreas mais valorizadas de Guarapari, e levar a nova estrutura para uma região mais afastada, com maior capacidade de expansão e conexão logística.
O plano envolve a criação de um novo aeroporto em uma área próxima à região de Setiba ou em direção à BR-101, com potencial para atender operações executivas, logísticas e de cargas. A estrutura não seria mantida diretamente pelo município. A intenção é atrair um operador privado para construir e administrar o equipamento.
Ao mesmo tempo, a transferência abriria espaço para uma nova destinação ao terreno do aeroporto atual, localizado em uma região estratégica da cidade. Esse é o ponto mais sensível — e também um dos mais relevantes — do projeto: a mudança poderia liberar uma área de alto valor urbano para uma reocupação planejada, com impacto direto no mercado imobiliário, na mobilidade e na dinâmica de crescimento de Guarapari.
O modelo estudado se aproxima da lógica de uma Operação Urbana Consorciada, instrumento que permite reorganizar áreas da cidade com participação do poder público e da iniciativa privada. Em São Paulo, esse tipo de mecanismo foi usado em transformações urbanas relevantes, como na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima.
No caso de Guarapari, a proposta ainda possui entraves a serem resolvidos.
Um dos pontos em análise é a localização: a área mais ao norte, atrás da Reserva de Setiba, tem desafios importantes de solo, o que poderia elevar bastante o custo da implantação. Por isso, uma alternativa mais ao sul, em direção à BR-101, tem sido considerada tecnicamente mais viável, por reunir melhor condição de solo, terras mais baratas e espaço suficiente para uma pista maior.
Ainda assim, o projeto depende de estudos mais aprofundados, licenciamento, definição da área, modelagem econômica e, principalmente, interesse real de um investidor privado.


