O setor cafeeiro do Brasil e do Espírito Santo comemorou o fim do tarifaço de 50% do café solúvel e café verde no mercado americano (combinação de uma alíquota base de 10% com adicionais de 40%). Agora, a alíquota aplicada nas exportações fica dentro da sobretaxa global de 10%.
Empresários do café apontam o tarifaço como principal responsável pela queda de 50% das exportações de café solúvel brasileiro para os EUA no ano passado. Um grande revés para o bom momento do café brasileiro, que via preços da commodity subirem e produção de solúvel se fortalecer.
Apesar da boa notícia, para os representantes do café, essa redução ainda não traz segurança para o setor. Para Fabrício Tristão, presidente do Centro do Comércio do Café de Vitória (CCCV), a volatilidade da política americana é o maior entrave.
“Você vende um café hoje para embarcar no mês que vem, para chegar nos Estados Unidos outro mês. Quando chegar lá, qual é o tributo? Essa oscilação, essa insegurança comercial, gera muita insegurança. Você fecha o negócio, chega lá com mais 15% de tarifa e a margem vira nada”, disse.
Essa pauta foi levada ao vice-presidente Geraldo Alckmin (em reunião articulada pelo governador do Espírito Santo, Renato Casagrande) por representantes da ABICS (Associação Brasileira das Indústrias de Café Solúvel), do Cecafé e do CCCV.
Eles apresentaram as preocupações do setor diante da política tarifária americana e pediram a manutenção de alíquota zero para todos os produtos de café exportados ao mercado americano.
“A gente antecipou essa reunião exatamente para reforçar para o governo brasileiro a necessidade de seguir com uma negociação e excluir o café solúvel, assim como o café verde e os outros produtos de café, da incidência desse imposto de importação”, afirmou Fabrício Tristão.
A estratégia do setor é garantir que o café faça parte de um pacote mais amplo de negociações entre Brasil e Estados Unidos, envolvendo temas como terras raras e big techs. “É diferente quando você está com um pacote de produtos, você tem coisas para dar, tem isenções para oferecer. Tem que andar no pacotão, senão fica pequeno para debater”, avaliou Tristão.
Apesar das incertezas com o mercado americano, o presidente do CCCV vê com relativo otimismo o panorama geral do setor. “Os preços da matéria-prima, tanto do Conilon quanto do Arábica, estão mais alinhados com o mercado internacional. A perspectiva é de manutenção dos volumes históricos de vendas. Nada crítico, com exceção dos Estados Unidos, obviamente”, pontuou.


