No Brasil, em junho, a queda da Selic com a inflação em alta e o comunicado do COPOM geraram incertezas. Uma vez precificado estas incertezas, o cenário doméstico passa a ser dominado pela queda dos preços do petróleo (com as negociações USA-Irã). Com isto, as empresas domésticas (também da economia tradicional) passam a se valorizar e devolvem as perdas do mês.
1.1 – Mercado Externo
O cenário de junho foi dominado pela performance da economia dos USA e pelo avanço das negociações de paz. Apesar disto, o crescimento na Europa e China não dá sinais de aumento.
Nos USA, em junho, a economia acelera, aumentando a criação de empregos (172K) e mantendo o desemprego estável (4.3%). Já a inflação pelo PCE (4.1%) e pelo CPI (4.2%) continua subindo. Neste ambiente, os juros aumentam nos USA (Gráfico I) e o dólar valoriza (DXY).
Mas, em meados de junho, o início das negociações de paz levou à queda dos preços do petróleo e a queda da expectativa de inflação de longo prazo, revertendo parte do aumento dos juros de longo prazo (Gráfico I) e do dólar. Neste cenário, as empresas endividadas (como as de tecnologia) sofreram mais com os juros (ver abaixo).
O Fed realizou sua primeira reunião sob a presidência de Kevin Warsh, indicando que deve ser mais sintético em seus pronunciamentos (com o fim do “forward guidance”). Quanto à esperada redução do balanço do Fed e o fim do QE, nada foi dito, mas há expectativas de mudanças.
1.2 – Mercado Interno
Segundo o Focus, para 2026, a inflação esperada é 5.33% (era de 5.04% há um mês). O crescimento esperado é de 1.99% (era de 1.89% há um mês atras). Já a Selic esperada de dezembro de 2026 está em 14.0% (era 13.25% há um mês).
O crescimento em 2026 deve ser um pouco abaixo de 2025, por não contar com o impulso da safra de grãos do último ano. Sobre a inflação anual, o IPCA de maio (4.72%), o IPCA-15 de junho (4.80%) e a expectativa de inflação de 2026 (5.33%) continuam aumentando e reduzindo as expectativas de cortes na Selic.
Até meados de junho, o aumento dos juros nos USA (ver acima), manteve a saída de capital estrangeiro (Gráfico II), levando a desvalorização do real e das empresas. A redução da SELIC e o comunicado do COPOM, em um momento de alta da inflação, geraram incertezas sobre a independência do BC, elevando ainda mais juros e dólar.
Findos os efeitos do episódio do COPOM, o avanço nas negociações de paz USA-Irã levaram à queda dos preços do petróleo e os juros no Brasil e nos USA reverteram parte dos aumentos do mês. Com isto, as empresas voltam a se valorizar, devolvendo as perdas do mês no Brasil.
Para 2025-26, as perspectivas de crescimento e dos preços dos ativos continuam dependendo: (i) da estabilidade política interna e do avanço das reformas; (ii) do controle do risco fiscal e tributário; (iii) da política monetária, comercial e militar nos USA.
Em junho, a decisão e o comunicado do COPOM geraram incertezas. A redução dos juros com inflação em alta (como ocorreu no governo Dilma) levantou dúvidas sobre a independência e a credibilidade do banco central, aumentando os juros e o dólar.
Quer ter acesso à Carta de Julho completa?
Clique aqui e seja o investidor mais bem informado que você conhece!


