O mês de março começa sob o impacto do início do conflito USA-Israel-Irã. A incerteza com a guerra, mais os dados que mostram perda de ritmo da economia dos USA, geraram aumento da aversão ao risco, levando ao aumento dos juros, queda dos preços das empresas e o fortalecimento do dólar (DXY). Ao longo do mês, os preços dos ativos tendiam a recuperação, quando havia sinais de fim do conflito e voltavam a cair quando estes sinais mudavam.
No Brasil, sem mudanças no cenário doméstico, a entrada de investidores estrangeiros em março não foi em volume suficiente para descolar o mercado interno do externo. Com isto, no mercado doméstico há queda do valor das empresas e desvalorização do real.
1.1 – Mercado Externo
O cenário de março foi dominado pelas incertezas com o desenrolar da guerra. A expectativa de inflação e crescimento nas maiores economias pioraram devido aos possíveis impactos com aumento do preço do petróleo. Assim, o baixo crescimento da Europa pode cair ainda mais e a China pode ter nova queda do crescimento.
Quanto aos USA, os dados mostram perda de empregos (92K) e aumento do desemprego (4.4%) em fevereiro. Ao mesmo tempo, ainda sem os efeitos da guerra, a inflação se mantém elevada e acima da meta.
Finalmente, a incerteza com a guerra e seus impactos sobre a economia e a inflação gerou aumento dos juros nos USA (Gráfico I), levando o Fed a manter os juros constantes em sua reunião de março. No momento, as expectativas de mercado são de manutenção dos juros pelo Fed em 2026. Mais ainda, à medida que a guerra se estende, vão se cristalizando os efeitos do aumento dos preços do petróleo sobre a economia e sobre as expectativas, dificultando a reversão destes efeitos com o fim do conflito.
Quanto à política comercial, o governo dos USA substituiu as tarifas reciprocas, com nova tarifa geral de 15% (baseadas na Seção 122 da Lei de 1974). Mas, a incerteza quanto os rumos da política comercial persistem, com 22 estados entrando na justiça para barrar estas novas tarifas.
1.2 – Mercado Interno
Segundo o Focus, para 2026, a inflação esperada é 4.31% (era 3.91% há um mês). O crescimento esperado está em 1.85% (há um mês era 1.82%). Já a Selic de dezembro de 2026 está em 12.50% (era 12.00% há um mês).
O crescimento em 2026 deve ser similar ao de 2025, mas sem contar com o impulso do agropecuário que tivemos ano passado. O 6º levantamento da CONAB de 2025/26 (em 13/03), mostra crescimento de 0.7% safra de grãos. Sobre a inflação anual, o IPCA de janeiro (3.81%) e o IPCA-15 de março (3.90%) caíram. Mas, a expectativa de inflação de 2026 voltou a subir, reduzindo a possibilidade de maiores cortes de juros pelo COPOM.
Em março, sem alterações no cenário doméstico e com aumento da incerteza externa, a entrada de recursos externos se manteve (Gráfico II), mas não foi suficiente para impedir o aumento dos juros, nem a desvalorização do real e dos ativos domésticos.
Para 2025-26, as perspectivas de crescimento e dos preços dos ativos continuam dependendo: (i) da estabilidade política interna e do avanço das reformas; (ii) do controle do risco fiscal e tributário; (iii) da política monetária, comercial e militar nos USA.
Como havíamos dito anteriormente, a disputa presidencial de 2026 podia gerar instabilidade com a expectativa de aumento do risco fiscal. Mas, em março, foi a deterioração no mercado externo que dominou, levando a desvalorização dos ativos domésticos e ao aumento das expectativas de inflação e juros.
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