No mês de abril, os dados não alteraram a expectativa de crescimento da China e da Europa, mas mostravam aumento da inflação nos USA e Europa. Durante o mês, os anúncios de cessar-fogo e negociações de paz entre os USA-Irã, reduziram a aversão ao risco, desvalorizando o dólar (DXY) e valorizando as empresas. Finalmente, em fins de abril, sinais de melhora de performance da economia dos USA levaram a nova valorização das empresas.
No Brasil, a inflação subiu, gerando expectativa de menores cortes na Selic em 2026. Mas, a entrada de investidores estrangeiros na B3 permitiu que o mercado interno seguisse o externo, valorizando as empresas e o real. Mas, no fim de abril, a melhora da economia e a valorização da bolsa dos USA reverteram o fluxo de estrangeiros, interrompendo a valorização das empresas.
1.1 – Mercado Externo
O cenário de abril seguiu dominado pelas incertezas geradas pela guerra. A expectativa de inflação aumentou e a de crescimento caiu nas maiores economias devido ao aumento do preço do petróleo. A Europa tende a manter o baixo crescimento. A China pode ter queda do crescimento, embora os dados do Q1, mostrem recuperação.
Nos USA, houve geração de empregos (178K) e queda do desemprego (4.3%). A inflação pelo PCE (3.5%) e pelo CPI (3.3%) aumentou. Finalmente, em fins de abril, os dados voltaram a mostrar resiliência no crescimento e lucratividade das empresas em Q1.
A incerteza da guerra manteve as expectativas de inflação e os juros nos USA mais elevados, com o mercado não esperando novos cortes de juros pelo Fed em 2026. Mas, à medida que a guerra se estende, vão se disseminando efeitos do aumento dos preços de energia sobre os custos das empresas e sobre as expectativas, dificultando sua reversão.
Finalmente, a sabatina do possível futuro presidente do Fed, Kevin Warsh, pelo Senado dos USA, reduziu a incerteza quanto à futura independência do Fed. Warsh sinalizou sua preocupação com os excessos da QE (“Quantitative Easing”) e com um Fed mais focado no mandato de inflação (e desemprego).
1.2 – Mercado Interno
Segundo o Focus, para 2026, a inflação esperada é 4.86% (era de 4.31% há um mês). O crescimento esperado será de 1.85% (o mesmo de um mês atrás). Já a Selic de dezembro de 2026 está em 13.0% (era 12.5% há um mês).
O crescimento em 2026 deve ser similar a 2025, mas sem o impulso da agropecuária. O 7º levantamento da CONAB de 2025/26 (em 17/04), mostra crescimento de 1.6% da safra de grãos. Sobre a inflação anual, o IPCA de março (4.14%), o IPCA-15 de abril (4.37%) e a expectativa de inflação de 2026 (4.86%) aumentaram, reduzindo as expectativas de cortes na Selic.
Em abril, mais uma vez, não tivemos alterações no cenário doméstico, que continua dominado pela incerteza externa. A entrada de recursos até meados do mês (Gráfico II) e a possibilidade de fim da guerra levaram à valorização dos ativos domésticos e do real. Mas, no fim do mês, a inversão do fluxo de recursos (saíram R$ 3.05 bi) desvalorizou o Ibovespa.
Para 2025-26, as perspectivas de crescimento e dos preços dos ativos continuam dependendo: (i) da estabilidade política interna e do avanço das reformas; (ii) do controle do risco fiscal e tributário; (iii) da política monetária, comercial e militar nos USA.
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