Em maio, mantêm-se as expectativas de menor crescimento da Europa e China, enquanto melhoram as expectativas dos USA. Mas, a inflação teve novo aumento nos USA, Europa e China. Neste cenário, os anúncios das negociações entre USA-Irã reduzindo o preço do petróleo, se somaram às expectativas de maior crescimento e a maior lucratividade das empresas americanas (em Q1), levando à valorização do dólar (DXY) e das empresas nos USA. No Brasil, a inflação continuou subindo, mantendo expectativas de menores cortes na Selic.
Além disso, o bom desempenho do mercado americano e a incerteza com as eleições domésticas, mantiveram a saída de capital estrangeiro da B3 e a tendência de desvalorização das empresas e do real.
1.1 – Mercado Externo
O cenário de maio seguiu dominado pelas incertezas geradas pela guerra e com expectativa de inflação aumentando nas maiores economias. Já o de crescimento caiu na Europa. A China pode ter queda do crescimento, como sinalizam os investimentos, as vendas no varejo e a produção industrial de abril.
Nos USA, em abril, a economia continua a gerar empregos (115K), estabilizando o desemprego (4.3%). Além disso, a economia manteve o crescimento similar ao do ano passado (1.6% no Q1) e as empresas voltaram a superar as expectativas de lucratividade em Q1. Já a inflação pelo PCE (3.8%) e pelo CPI (3.8%) continuou subindo.
A incerteza da guerra, manteve as expectativas de inflação e os juros nos USA mais elevados (Gráfico I, eixo horizontal em inglês), com o mercado não mais esperando cortes de juros pelo Fed em 2026. Como temos repetido aqui, à medida que a guerra se estende, vão se disseminando efeitos do aumento dos preços de energia sobre os custos das empresas e sobre as expectativas, dificultando sua reversão, demanda juros mais elevados.
Finalmente, Kevin Warsh tomou posse como novo presidente do Fed. Seu comportamento agora deve sinalizar se o Fed vai manter, ou não, sua independência, podendo impactar as expectativas de inflação.
1.2 – Mercado Interno
Segundo o Focus, para 2026, a inflação esperada é 5.04% (era de 4.86% há um mês). O crescimento esperado é de 1.89% (era de 1.86% há um mês). Já a Selic esperada de dezembro de 2026 está em 13.25% (era 13.0% há um mês).
O crescimento em 2026 deve ser similar ao de 2025, apesar de não contar com o impulso da safra de grãos do último ano. Sobre a inflação anual, o IPCA de abril (4.39%), o IPCA-15 de maio (4.64%) e a expectativa de inflação de 2026 (5.04%) tiveram novo aumento, reduzindo as expectativas de cortes na Selic.
Em maio, o cenário externo segue dominando o cenário doméstico (apesar de a liberalização de áudio entre Flávio-Vorcaro, ter afetado as expectativas de resultado da eleição). Neste sentido, com os bons dados da economia dos USA, a saída de capital estrangeiro se manteve durante o mês (Gráfico II), levando à queda do valor das empresas e do real.
Para 2025-26, as perspectivas de crescimento e dos preços dos ativos continuam dependendo: (i) da estabilidade política interna e do avanço das reformas; (ii) do controle do risco fiscal e tributário; (iii) da política monetária, comercial e militar nos USA.
A disputa presidencial de 2026 pode gerar incertezas, com a expectativa de aumento do risco fiscal. Foi o que aconteceu em maio, com o vazamento do áudio entre Flavio-Vorcaro, gerando aumento do dólar. Vale lembrar, um aumento do risco fiscal, pode ampliar ainda mais os efeitos da guerra sobre os juros e inflação.
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