Em janeiro, não houve alteração no cenário de crescimento e inflação. Sem mudanças, as bolsas e as moedas internacionais estavam estáveis. Mas, em meados do mês, o governo dos USA ameaça tomar a Groelândia, gerando desvalorização do dólar, aumento dos juros e queda das bolsas nos USA. A retirada das ameaças americanas alguns dias depois, permitiu as bolsas devolverem as perdas, mas o dólar mantem desvalorização e os juros estão mais elevados.
No Brasil, o mercado doméstico segue o internacional até meados do mês, com o dólar devolvendo parte dos ganhos contra o real com o término da sazonalidade do fim de ano. Mas, com as incertezas geradas pelas ameaças dos USA, reaceleração da economia e os juros altos, o Brasil atrai capital estrangeiro, levando a valorização da bolsa e queda do dólar.
1.1 – Mercado Externo
Em janeiro, não tivemos alterações no cenário de crescimento e inflação das economias europeias e chinesas. Na China, o PIB do Q4 tem queda do crescimento (Gráfico I) e a Europa mantem crescimento baixo (Zona do Euro e UK).
Nos USA, os dados liberados em janeiro também vieram em linha com as expectativas de crescimento e inflação. Além disto, o Fed manteve os juros em sua reunião de janeiro (já esperado).
A mudança de cenário ocorre em meados do mês, quando o governo dos USA ameaça tomar a Groelândia pela força, se a Dinamarca não aceitasse vender. Também ameaçou aumentar as tarifas de importação para vários países europeus que se opuseram à vontade dos USA.
A incerteza gerada levou a queda do dólar, aumento dos juros e queda do valor de mercado das empresas dos USA. Neste cenário de incertezas, o governo dos USA retira rapidamente as ameaças e as tarifas, revertendo o cenário. Com isto, os preços dos ativos começam a devolver as perdas.
Finalmente, voltamos a lembrar, a Suprema Corte dos USA ainda não decidiu o destino das tarifas. Ainda que eliminadas, a incerteza quanto os rumos da política comercial tendem a continuar afetando os investimentos e o crescimento, pois o governo Trump ameaça traze-las de volta, usando outras justificativas.
1.2 – Mercado Interno
Segundo o Focus, para 2026, a inflação esperada é 4.00% (era 4.05% há um mês). O crescimento esperado está em 1.80% (o mesmo há um mês). Já a Selic de dezembro de 2025 está em 12.25% (o mesmo há um mês).
A economia em 2025 terá crescimento menor. Mas, os dados do 4º trimestre (Serviços, vendas no varejo, IBC-BR) mostram que o crescimento estabilizou. Mas, o 4º levantamento da CONAB da de 2025/26 (em 15/01), mostra crescimento ainda menor da safra de grãos. Sobre a inflação, o IPCA de dezembro teve alta anual de 4.26% e o IPCA-15 de janeiro foi de 4.50%. Mas, o COPOM já sinaliza possibilidade de queda dos juros.
Em janeiro, findo a sazonalidade com a remessa de dividendos, o dolar começou a devolver parte da valorização. Neste cenário, as ameaças de invasão da Groelândia pelos USA, reduziram a demanda por dolar e pelos ativos americanos, beneficiando o resto do mundo. No Brasil, tivemos forte entrada de recursos na B3 (Gráfico II), levando a nova queda do dolar e a valorização das empresas.
Para 2025-26, as perspectivas de crescimento e dos preços dos ativos continuam dependendo: (i) da estabilidade política interna e do avanço das reformas; (ii) do controle do risco fiscal e tributário; (iii) da política monetária e comercial nos USA.
Em 2026, se a disputa presidencial gerar expectativa de aumento de gastos e sem reformas no próximo mandato, podemos ter maior volatilidade dos preços, com pressão de alta do dólar e dos juros.
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