O Campo de Wahoo, localizado em águas profundas na Bacia de Campos, no litoral sul do Espírito Santo, atingiu a marca de 12 mil barris de petróleo por dia com o primeiro poço produtor conectado ao sistema. É o primeiro campo integralmente desenvolvido pela PRIO, a maior petroleira independente do Brasil, e o início de uma operação que recebeu US$ 870 milhões em investimentos (cerca de R$ 4,7 bilhões). A produção será escoada por uma interligação submarina (leia-se: tieback) de 35 km até o FPSO Frade, navio-plataforma com capacidade de processar 100 mil barris por dia, também operado pela PRIO na Bacia de Campos.
A 12 mil barris por dia, quase R$ 8 milhões por mês entram nos cofres capixabas
Considerando o barril de Brent a US$ 75 e câmbio de R$ 5,42, o valor bruto da produção anual de Wahoo chega a R$ 1,78 bilhão. Sobre esse valor incidem 10% de royalties, conforme o regime de concessão da Lei do Petróleo. Após o rateio previsto em lei, o resultado para o Espírito Santo é o seguinte: R$ 46,7 milhões por ano para o governo estadual e outros R$ 46,7 milhões para os municípios confrontantes do litoral sul — totalizando R$ 93,5 milhões por ano, ou R$ 7,8 milhões por mês, de um único campo.
“Para dimensionar, essa cifra representa um incremento de 4,3% sobre toda a arrecadação de royalties que o Espírito Santo recebeu nos primeiros oito meses de 2025, quando Estado e municípios somaram R$ 1,44 bilhão. Tudo isso com apenas um poço em operação”, explica Orlando Caliman, diretor econômico da Apex.
No pico de 40 mil barris por dia, receita pode saltar para R$ 737 milhões ao ano
O cenário muda de patamar quando Wahoo atingir a capacidade plena: 40 mil barris por dia, com quatro poços produtores e dois injetores. Nesse estágio, os royalties para o ES (Estado e municípios) saltam para R$ 311,6 milhões por ano. E entra em cena um segundo componente: a Participação Especial, tributo adicional que incide sobre campos de alta rentabilidade. A estimativa, validada com base na Matriz de Insumo-Produto do Espírito Santo, é de que a PE gere cerca de R$ 425 milhões adicionais por ano ao ES — sendo R$ 85 milhões para o Estado e R$ 340 milhões para os municípios confrontantes.
Somando royalties e Participação Especial, o Campo de Wahoo pode gerar até R$ 737 milhões por ano para o Espírito Santo — um incremento de 34% na arrecadação petrolífera total do estado. No cenário otimista, com Brent a US$ 100, esse número pode ultrapassar R$ 1 bilhão.
Impacto no PIB capixaba pode chegar a 2,5%
Os efeitos de Wahoo não se limitam às receitas governamentais. No patamar de pico, a produção do campo deve gerar um valor adicionado bruto direto de R$ 3,56 bilhões por ano. Aplicando o multiplicador econômico de 1,72 — calculado com base na Matriz de Insumo-Produto estadual, que considera os encadeamentos produtivos diretos, indiretos e o efeito induzido da renda —, o impacto total sobre a economia capixaba pode chegar a R$ 6,1 bilhões, o equivalente a 2,5% do PIB do Espírito Santo.
Na cadeia de fornecedores, o efeito já é visível. A PRIO investiu mais de R$ 1 bilhão com fornecedores locais. A estimativa é de que o ICMS incremental gerado pela cadeia produtiva, operações logísticas e consumo induzido alcance R$ 180 milhões por ano quando o campo estiver em plena operação — vale lembrar que a extração de petróleo offshore não gera ICMS direto. São aproximadamente 3.500 empregos entre diretos, indiretos e induzidos no cenário de pico.
Fundo Soberano do ES pode acumular R$ 3,2 bilhões em 25 anos só com Wahoo
Parte dos royalties e da Participação Especial alimenta o FUNSES, o Fundo Soberano do Espírito Santo — que, em 2025, conquistou o primeiro lugar entre os fundos soberanos subnacionais da América Latina no ranking global. A contribuição incremental de Wahoo ao fundo pode chegar a R$ 67 milhões por ano no pico de produção. A uma taxa de retorno real de 5% ao ano, apenas essa parcela pode acumular R$ 3,2 bilhões em 25 anos — convertendo receita de um recurso finito em patrimônio de longo prazo para as próximas gerações de capixabas.
Os números de Wahoo, resumidamente:
Hoje, com um único poço a 12 mil barris por dia, Wahoo injeta R$ 7,8 milhões por mês em royalties na economia do ES e adiciona 0,7% ao PIB estadual. Quando os quatro poços estiverem operando no platô de 40 mil barris, a operação pode representar até R$ 737 milhões por ano em receitas diretas, gerar 3.500 empregos, movimentar o equivalente a 2,5% do PIB estadual e adicionar R$ 180 milhões em ICMS indireto por meio da cadeia de fornecedores.
Tudo isso a um custo de desenvolvimento de US$ 7,10 por barril adicionado — um dos mais competitivos entre projetos de águas profundas no Brasil —, o que significa que o campo se sustenta mesmo em cenários de preço mais adversos. O Espírito Santo, que já é o segundo maior produtor de petróleo do país, ganha com Wahoo um dos maiores saltos incrementais de um único campo na história recente do estado.


