Os governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e a deputada federal Renata Abreu, presidente do Podemos, subiram ao palco do BRM Brasília nesta quarta-feira (11) para debater a tese que dá nome ao painel: existe um Brasil que dá certo. A discussão, mediada pela gerente de negócios da Apex, Júlia Tavares, revelou uma convergência de fundo entre os três painelistas — a de que o desenvolvimento regional brasileiro depende de autonomia, gestão responsável e clareza sobre o papel do Estado.
Eduardo Leite abriu com o histórico do Rio Grande do Sul: um estado que chegou a comprometer 80% da receita corrente líquida com folha de pagamento e que, após reformas estruturantes nas carreiras do serviço público, na previdência e com privatizações, conseguiu elevar a taxa de investimentos de 2% para 10% da receita corrente líquida. “Reforma fiscal não é menos Estado. É colocar o Estado onde ele deve estar”, afirmou o governador, que defendeu novas privatizações, aprofundamento de concessões e reformas institucionais — incluindo mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal e proibição de reeleição para cargos executivos — como agenda prioritária para o próximo governo.
O potencial de cada estado e a armadilha do comando central
Ronaldo Caiado trouxe ao debate o argumento da diversidade regional como ativo estratégico do país. Para o governador de Goiás, a centralização de decisões em Brasília é um obstáculo concreto ao desenvolvimento: estados com vocações distintas precisam de autonomia para legislar, investir e formular políticas adequadas à sua realidade.
Ele citou como exemplo o avanço de Goiás com biometano — ônibus da região metropolitana já rodam com o combustível produzido localmente — e o potencial ainda represado em energia hídrica, com PCHs que não avançam por falta de prioridade do governo federal. “Não tem uma receita única para todos. O presidente precisa ter conhecimento para entender como a política pode ser desenvolvida em cada região do Brasil, entendendo as peculiaridades regionais”, disse Caiado.
O governador também destacou o potencial de Goiás em terras raras, com um acordo já assinado com o governo japonês para produção da maior mina global do mineral, e defendeu que a segurança pública é condição para qualquer reforma econômica funcionar. Caiado citou a migração de empresas para Goiás como resultado direto do enfrentamento ao crime organizado no estado.
Ao ser questionado sobre qual reforma o Brasil precisa com mais urgência, Caiado foi direto: “Eu elegeria uma reforma, uma, para que as outras possam acontecer no Brasil: uma reforma moral.” Para o governador, sem autoridade moral na cadeira da presidência da República, nenhuma outra agenda avança. “Como você vai avançar numa reforma se você não tem um presidente da República capaz de chamar à mesa de negociação o presidente da Câmara, do Senado, do Supremo e dizer: esses são os problemas de Estado?”, questionou.
Caiado lembrou ainda que, em 1980, o Brasil era maior que China e Índia em participação no PIB mundial. “Hoje você vê a deterioração do país a passos largos”, concluiu, defendendo que a retomada passa por lideranças com autoridade moral para conduzir reformas de Estado.
Renata Abreu completou o painel com uma visão centrada no papel da política e das cidades como motores do desenvolvimento regional. Para a presidente do Podemos, o crescimento começa na base: “Quando a gente fala de desenvolvimento dos mercados regionais, eu sempre falo que tudo começa na cidade. Quando uma cidade cresce, quando uma cidade se desenvolve, é o início — é onde mora o cidadão”, afirmou.
Ela defendeu que o Brasil possui potencial econômico capaz de gerar inveja em qualquer nação, mas desperdiça essa vantagem por falta de gestores dispostos a tomar decisões difíceis, e parabenizou os dois governadores pela coragem de conduzir reformas impopulares. Para ela, o crescimento sustentado do país passa, necessariamente, pela prioridade dada à educação como formadora de cidadãos e de lideranças.


