O cooperativismo capixaba entrou em uma nova fase de escala. O setor já ultrapassa a marca de 1 milhão de associados no Espírito Santo, segundo dados prévios do Relatório de Gestão do Sistema OCB/ES, e agora mira novas frentes de expansão para além dos segmentos mais tradicionais, como agro, crédito e saúde. Entre os mercados que devem ganhar espaço nos próximos anos estão telecomunicações, turismo, mobilidade urbana e serviços de home care. A avaliação é de que o modelo cooperativo pode ocupar lacunas em áreas nas quais a demanda da população cresce, mas nem sempre é atendida de forma competitiva pelo mercado tradicional.
Crédito e agro: os dois pilares que sustentam o cooperativismo capixaba
Os setores de crédito e agropecuário concentram as bases mais sólidas do cooperativismo no Espírito Santo. Cada um reúne 25 cooperativas, empatadas no topo do ranking por número de organizações, mas com perfis de atuação distintos. O setor de crédito é o de maior penetração na sociedade capixaba. São 868.313 cooperados, cerca de 90% do total de associados do estado, distribuídos em instituições como Sicoob e Sicredi, as principais referências do segmento no Espírito Santo. Em termos patrimoniais, o ramo também concentra o maior peso: os ativos totais chegaram a R$ 46,3 bilhões em 2024, o equivalente a 89% de todos os ativos do cooperativismo capixaba, crescimento de 40,9% em relação ao ano anterior.
O setor agropecuário ancora sua atuação no interior e nas cadeias produtivas rurais. Com 46.017 cooperados e 2.860 colaboradores, organizações como Cooabriel e Selita são exemplos de como o modelo fortalece a agricultura familiar e o agronegócio capixaba. Juntos, os dois segmentos somam 50 cooperativas, 914.330 cooperados e 5.778 colaboradores, concentrando a maior parte da estrutura operacional e do peso econômico do setor no estado.
Para Carlos André Santos de Oliveira, diretor-executivo do Sistema OCB/ES, esse desempenho reflete a consistência do modelo. “O cooperativismo responde de forma muito consistente às necessidades dos cooperados, com geração de renda, inclusão produtiva e distribuição de resultados”, afirma.
Novos mercados no radar das cooperativas
Segundo o diretor-executivo do Sistema OCB/ES, o avanço do cooperativismo no estado é resultado de uma combinação de fatores: geração de renda, inclusão produtiva, distribuição de resultados, profissionalização da gestão e diversificação de mercados.
“O crescimento do cooperativismo no Espírito Santo é resultado de uma combinação de fatores. Em primeiro lugar, esse é um modelo de negócio que responde de forma muito consistente às necessidades dos cooperados, com geração de renda, inclusão produtiva e distribuição de resultados. Isso se reflete no número de associados que temos no estado, que já ultrapassa a marca de 1 milhão, conforme dados prévios divulgados no Relatório de Gestão 2025 do Sistema OCB/ES”, explica Carlos André.
Na avaliação dele, a profissionalização das cooperativas também ajudou a ampliar a confiança no setor e a competitividade do modelo societário.
“Além disso, o setor tem investido na profissionalização da gestão, inovação e transparência, o que fortalece a confiança da sociedade nas cooperativas e amplia a competitividade do modelo societário. Soma-se a isso a diversificação de mercados. As cooperativas estão entendendo a importância de ampliar seu portfólio de produtos e serviços. Ainda existem muitas oportunidades para serem aproveitadas nesse sentido, mas projetos exitosos já consolidados ou em andamento no estado demonstram o potencial de explorar novas frentes”, destaca.
Setores já consolidados, como agro e crédito, devem seguir puxando parte relevante do crescimento, impulsionados por tecnologia, ganho de produtividade e maior acesso a mercado. Mas a próxima etapa de expansão pode vir de áreas menos tradicionais no cooperativismo capixaba.
“O cooperativismo capixaba tem um potencial de expansão bastante diverso. Setores já consolidados, como o agro e o crédito, devem continuar crescendo, impulsionados por tecnologia, ganho de produtividade e maior acesso a mercado. Ao mesmo tempo, enxergo oportunidades promissoras em áreas como telecomunicações, mobilidade urbana, serviços de home care e turismo. Esses são segmentos em que o cooperativismo pode se tornar referência, oferecendo condições que o mercado tradicional não consegue suprir e atendendo demandas da população com qualidade”, diz.
Outro vetor importante é a digitalização. A expectativa é que o uso de tecnologia amplie o alcance das cooperativas, melhore a experiência dos cooperados e aproxime o modelo das novas gerações.
“Outro movimento relevante é a digitalização, que amplia o alcance das cooperativas — especialmente entre as novas gerações — e melhora a experiência dos cooperados. Junto, temos a crescente valorização de modelos de negócio mais sustentáveis e colaborativos, o que coloca o cooperativismo em uma posição estratégica no cenário capixaba atual e futuro”, afirma.
De 78 municípios a 1 milhão de cooperados: o alcance e o futuro do cooperativismo capixaba
O dado que mais traduz a força do cooperativismo no estado não é financeiro: é demográfico. Aplicando o multiplicador familiar do IBGE sobre os 810.202 capixabas diretamente envolvidos com o setor, o Anuário do Cooperativismo Capixaba 2025 estima que 2,16 milhões de pessoas, cerca de 53% dos 4,1 milhões de habitantes do Espírito Santo, estejam direta ou indiretamente ligadas a alguma cooperativa. Essa presença se distribui pelos 78 municípios capixabas, do litoral ao interior serrano, em setores que vão do crédito e do agro à saúde e aos serviços.


