O Espírito Santo vem construindo, nos últimos anos, um ambiente cada vez mais favorável para negócios de base tecnológica. A combinação de capital disponível, redes de aceleração e demanda crescente de grandes empresas por ganho de eficiência vem ajudando a transformar inovação em agenda econômica concreta.
Um indicativo forte desse movimento é institucional: o Espírito Santo é o único estado brasileiro com um Fundo Soberano, criado para gerir receitas do petróleo e gás com visão de longo prazo e que também passou a direcionar recursos para inovação – por meio do Funses 1, o estado estruturou um veículo de venture capital voltado a startups e empresas de base tecnológica.
A seguir, selecionamos cinco startups promissoras que vamos ficar de olho em 2026, cujas ideias inovadoras e crescimento acelerado as posicionam como protagonistas – não só no mercado capixaba, mas também nacional e internacional.
Do software global à indústria: onde estão as apostas
AEVO
A AEVO atua com uma plataforma de gestão da inovação corporativa e vem acelerando a agenda de expansão internacional. A startup, que foi uma das primeiras investidas do Funses 1, anunciou no ano passado uma sede na Holanda, movimento puxado por um follow-on do fundo e pela demanda de empresas multinacionais pela solução. A tese é clara: transformar um produto nascido no Espírito Santo em software com escala global, ampliando mercado e possibilidades de parceria e saída estratégica.
2Neuron
A 2Neuron leva o Espírito Santo para dentro do “chão de fábrica” de grandes operações. Ela desenvolveu o Ultronline, tecnologia de manutenção preditiva que interpreta sinais elétricos diretamente do painel de energia para antecipar falhas mecânicas e elétricas, sem a necessidade de instalar sensores nas máquinas. A startup, que também é investida pelo Funses 1, ganhou tração em cases robustos, como o uso da solução pela Sabesp para monitorar bombas de esgoto em dezenas de estações, e aplicações industriais em plantas como a ArcelorMittal Pecém.
Takeat
Nascida de uma dor real da operação, a Takeat foi fundada após seu CEO, Miguel Carvalho, trabalhar como garçom em restaurante e identificar gargalos de atendimento e gestão. Começou com a proposta de “garçom digital”, mas evoluiu para um sistema de gestão para restaurantes. A startup recebeu aporte via Funses 1 ainda em 2022 e, em 2025, anunciou uma captação de R$ 12 milhões para acelerar o crescimento, com uma meta ambiciosa: triplicar a base de clientes.
Lauduz
Na área da saúde, a Lauduz avança na fronteira da telemedicina ao resolver um problema central: como levar atendimento especializado para onde não há especialista. A startup foi criada pelo casal de médicos, Wilson e Carolina Zatt, que moravam em Santa Maria (RS) e foram atraídos pelo ecossistema de inovação do Espírito Santo. A empresa desenvolveu o Telekit, uma maleta que viabiliza exame físico e aferição de sinais vitais à distância, conectando profissional e paciente com suporte clínico mais completo do que a teleconsulta tradicional, consolidando o produto como infraestrutura para ampliar acesso em regiões remotas e redes de atendimento.
Kords
A Kords aposta em escala digital para um mercado ainda pouco “plataformizado”: educação musical. A empresa se posiciona como um ecossistema que integra aprendizado, comunidade e diferentes formatos de ensino, com aulas ao vivo em turmas e trilhas personalizadas na plataforma. Em 2025, a marca entrou em uma nova fase de posicionamento e crescimento, reforçando a ambição de virar um “Wellhub da música”, conectando alunos, professores e escolas. Atualmente, são mais de 5 mil alunos ligados à plataforma – número relevante quando comparado à capacidade de escolas tradicionais de música.


