O mês de julho começa com o crescimento e o desemprego estabilizados nos USA. Mas, em meados do mês, a volta da guerra, o aumento dos juros e a lucratividade das empresas abaixo do esperado (em Q2) levam à valorização do dólar e à perda de valor das empresas. Em particular, sofrem as empresas de tecnologia com elevado endividamento.
No Brasil, a queda da inflação com a interrupção da guerra estabilizou o dólar e a bolsa no início de julho. Mas, a desconfiança do mercado com as empresas de tecnologia nos USA leva à nova entrada de capital estrangeiro no Brasil e à valorização das empresas.
1.1 – Mercado Externo
Em julho, o crescimento da China no Q2 cai e na Europa continua baixo. Já o retorno da guerra levou ao aumento das expectativas de inflação e juros, afetando os mercados mundiais.
Nos USA, os dados de julho mostram a economia reduzindo a criação de empregos (57K), mas com o desemprego (4,2%) e a inflação em queda (PCE de 3,7% e CPI de 3,5%).
Mas, o reinício da guerra, em meados do mês, altera este cenário. Com o novo aumento dos preços de petróleo e das expectativas de inflação, os juros (Gráfico I) e o dólar (DXY) também sobem e as empresas desvalorizam (em particular, as empresas de tecnologia com maior endividamento). Sem perspectivas para o fim do conflito, esta pressão tende a continuar a pressionar os juros, o dólar e os preços dos ativos.
Neste cenário, com as expectativas de alta de inflação (e dos juros), o Fed manteve os juros em sua reunião de julho. Com isto, aumentam as incertezas, restando ao mercado tentar entender como o Fed pretende trazer a inflação para a meta, sem aumentar os juros (e mantendo o QE).
1.2 – Mercado Interno
Segundo o Focus, para 2026, a inflação esperada é 5,12% (era de 5,33% há um mês). O crescimento esperado é de 1,99% (o mesmo de um mês atrás). Já a Selic esperada de dezembro de 2026 está em 14,0% (também sem alterações).
Como temos repetido aqui, o crescimento em 2026 deve ser um pouco abaixo de 2025, sem o impulso da safra de grãos em 2026. Sobre a inflação anual, a interrupção da guerra levou o IPCA de junho (4,64%), o IPCA-15 de julho (4,52%) e a expectativa de inflação de 2026 (5,12%) a caírem. Mas, a guerra retornou e, sem perspectivas para acabar, levou a novo aumento dos preços do petróleo que, no momento, estão no mesmo patamar do início da trégua. Com este cenário e com o risco fiscal, há pouco espaço para maiores reduções da Selic (ver Focus acima).
Com as expectativas de juros e inflação em alta nos USA, o mercado volta a reduzir o valor de mercado das empresas de tecnologia americanas devido ao seu alto endividamento. Com isto, o capital estrangeiro volta a ingressar na B3 (Gráfico II), levando à valorização das empresas.
Para 2025-26, as perspectivas de crescimento e dos preços dos ativos continuam dependendo: (i) da estabilidade política interna e do avanço das reformas; (ii) do controle do risco fiscal e tributário; (iii) da política monetária, comercial e militar nos USA.
Em julho, a reação do mercado americano à elevada necessidade de capital das empresas de tecnologia beneficiou o mercado brasileiro, com entrada de capital estrangeiro na B3 (Gráfico II). Mas, o cenário doméstico requer cuidados devido aos já frágeis fundamentos fiscais (déficit e dívida elevados) em um ano de eleições.
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