O Espírito Santo vai abrigar a maior ciclovia metropolitana contínua do Brasil. O projeto prevê 100 quilômetros de percurso integrado, conectando Serra, Vitória, Vila Velha, Cariacica e Guarapari por meio de uma malha cicloviária associada a grandes obras viárias em andamento ou já entregues na Região Metropolitana.
A proposta é transformar trechos hoje fragmentados em um corredor contínuo de mobilidade urbana, capaz de permitir o deslocamento entre cinco municípios sem que o ciclista precise dividir espaço com carros ou improvisar rotas pelas calçadas. Somadas as intervenções viárias que abrigam essa estrutura, como Trevo de Carapina, Terceira Ponte, Leitão da Silva e obras de mobilidade em Vila Velha, os investimentos podem chegar a R$ 1 bilhão.
“Podemos afirmar que esta é a maior ciclovia metropolitana do Brasil. Ela é pioneira por integrar cinco municípios de forma contínua, algo que geralmente não ocorre porque os estados não costumam fazer essa integração e os municípios acabam atuando apenas internamente”, aponta o secretário de Estado de Mobilidade e Infraestrutura, Fábio Damasceno.
Ciclovia será pioneira no país, aponta secretário
Na prática, o projeto tenta atacar um dos principais gargalos da mobilidade por bicicleta na Grande Vitória: a falta de conexão entre as ciclovias existentes. Embora a região tenha registrado crescimento no uso de bicicletas, especialmente as elétricas, o deslocamento entre municípios ainda depende de trechos descontínuos, o que reduz a segurança e limita o uso da bike como alternativa real de transporte.
O novo corredor parte da Serra, na região do Trevo de Carapina, e segue por eixos como Avenida Norte-Sul e Aeroporto. Em Vitória, passa por vias como Dante Michelini, Adalberto Simon Nader, Fernando Ferrari, Leitão da Silva e Portal do Príncipe. A conexão com Vila Velha ocorre pela Terceira Ponte, seguindo pela orla, por obras de mobilidade no município e pela Rodovia do Sol. Cariacica entra no traçado por meio das conexões com Vila Velha, especialmente pelos eixos da Avenida América e da Marechal Gurgel. A etapa final contempla a ligação até Guarapari.
“A extensão total planejada é de 100 quilômetros de ciclovia metropolitana, conectando nossas principais obras viárias em um único traçado”, disse o secretário.
Segundo Damasceno, o projeto cruza praticamente toda a Região Metropolitana e impacta diretamente cinco municípios, incluindo os três maiores do Espírito Santo: Vila Velha, Cariacica e Serra, além da capital Vitória e de Guarapari.
A lógica do projeto é tratar a ciclovia como parte da infraestrutura urbana principal, e não como um elemento complementar. Por isso, a diretriz adotada pelo governo estadual é incluir estrutura cicloviária nas grandes obras de mobilidade.
“Nossa diretriz é clara: todas as nossas grandes obras de sistema viário agora possuem a ciclovia inclusa, como fizemos também no Portal do Príncipe, no Centro de Vitória”, afirmou Damasceno.
Essa estratégia ajuda a explicar por que o valor total do projeto é difícil de ser isolado. A ciclovia não aparece como uma obra única, com orçamento separado, mas como parte de um conjunto de intervenções de maior porte. Segundo o secretário, quando considerados os investimentos nos sistemas viários que incluem a estrutura cicloviária, os valores podem chegar a R$ 1 bilhão.
“Se somarmos os investimentos no sistema viário onde a ciclovia está inclusa — como a Leitão da Silva, o Trevo de Carapina, a Terceira Ponte e outras obras de mobilidade — os valores podem chegar a R$ 1 bilhão”, disse.
O padrão previsto inclui ciclovias com três metros de largura, iluminação própria e áreas de apoio ao ciclista. No trecho da Rodovia do Sol, entre Vila Velha e Guarapari, também estão previstas quatro passarelas para garantir a travessia segura de quem pedala.
“Estamos entregando uma ciclovia com 3 metros de largura, um padrão diferenciado que inclui iluminação própria e áreas de apoio ao ciclista”, afirmou o secretário. “Na Rodovia do Sol, o projeto conta com a construção de quatro passarelas para ligar um lado ao outro da via, garantindo a segurança de quem pedala”.
Status das obras: conclusão está prevista até 2027
Parte dos trechos já está concluída ou em andamento. Em Vitória, as ciclovias da Dante Michelini, da Leitão da Silva, o Portal do Príncipe e a travessia pela Terceira Ponte já estão operacionais. Em Vila Velha, o ‘corredor do BRT’ na Carlos Lindenberg, que prevê ciclovia no canteiro central, segue em construção, assim como as conexões com Cariacica pela Avenida América e Marechal Gurgel.
O trecho que falta viabilizar é o mais extenso: os 25 km finais da Rodovia do Sol, com investimento de cerca de R$ 65 milhões.
“Já temos a empresa vencedora e estamos prontos para assinar o contrato dos 25 km finais, que vão de Terra Vermelha até o centro de Guarapari. A expectativa é que até o final de 2027 todo o percurso esteja 100% concluído e entregue à população, embora o prazo contratual possa se estender até 2028. É como uma espinha de peixe. Eu tenho a espinha central, agora está na hora de fazer as conexões com essa espinha central”, finaliza.


