Durante muito tempo, a independência financeira da mulher foi medida pela capacidade de gerar renda. Hoje, essa conversa mudou.
Cada vez mais mulheres ocupam posições de liderança, comandam empresas e administram grandes patrimônios. Entre 2018 e 2023, a riqueza controlada por mulheres cresceu mais rapidamente do que a riqueza global, e a expectativa é que elas controlem entre 40% e 45% dos ativos financeiros de varejo nos Estados Unidos e na Europa até 2030. (McKinsey & Company. The New Face of Wealth: The Rise of the Female Investor (2024).
Mas existe uma pergunta que ainda fazemos pouco. Quem está sendo preparada para continuar esse legado?
Ao longo da minha carreira, participei de inúmeras conversas sobre sucessão patrimonial. Falamos sobre holdings, governança, planejamento tributário, testamentos e acordos familiares. Mas, muitas vezes, esquecemos de preparar aquilo que realmente sustenta um patrimônio ao longo das gerações: as pessoas.
Já vi famílias extremamente organizadas do ponto de vista jurídico e completamente despreparadas do ponto de vista humano. Filhos que herdaram patrimônio, mas nunca participaram de uma conversa sobre dinheiro. Mulheres que ajudaram a construir empresas, mas sempre deixaram as decisões financeiras nas mãos de outra pessoa. Jovens que conhecem o valor dos bens da família, mas nunca compreenderam o esforço necessário para construí-los.
Patrimônio não sobrevive apenas porque foi bem investido. Ele sobrevive porque alguém foi preparado para assumir a responsabilidade de preservá-lo.
Talvez seja por isso que eu prefira falar menos sobre herança e mais sobre legado. Herança é a transferência de bens. Legado é a transferência de valores, conhecimento e responsabilidade.
Uma sucessão bem planejada não começa quando um documento é assinado. Ela começa anos antes, quando a próxima geração passa a participar das conversas, entende como as decisões são tomadas e aprende que administrar patrimônio não é um privilégio. É uma responsabilidade. Talvez a pergunta mais importante não seja: “Quanto patrimônio vou deixar?”. Mas sim: “Estou formando alguém capaz de cuidar dele?”
Porque, no fim, o maior risco para um patrimônio não é a volatilidade do mercado. É a ausência de pessoas preparadas para conduzi-lo.
Antes de virar a página…
Patrimônios são construídos com capital. Legados são construídos com preparo.
Fonte do dado: McKinsey & Company. The New Face of Wealth: The Rise of the Female Investor (2024).
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