O avanço do Mercado Livre de Energia deve trazer para as empresas capixabas, nos próximos anos, um novo fator de competitividade. Até o fim de 2027, mais de 7 milhões de empresas no Brasil devem estar aptas a negociar energia diretamente no mercado. Só no Espírito Santo, o potencial estimado é de mais de 134 mil empresas elegíveis — um movimento que coloca o custo de energia, um dos pontos mais sensíveis da operação empresarial, no centro da estratégia de indústrias, redes de varejo e empresas de serviços.
Abertura do mercado muda escala e transforma energia em decisão estratégica
O Mercado Livre de Energia não é uma novidade no Brasil. O modelo já existe há décadas para grandes consumidores industriais, mas ganhou nova escala desde 2024, quando aproximadamente 160 mil empresas passaram a ter o direito de migrar para o ambiente livre. Na prática, o modelo permite que empresas deixem de comprar energia por tarifas reguladas e passem a negociar diretamente preço, prazo e volume de fornecimento.
É nesse cenário de expansão acelerada que a EDP reforça sua atuação no Espírito Santo. A companhia, que atua há mais de 30 anos no setor elétrico brasileiro, foi uma das pioneiras no mercado varejista de energia do país e atualmente está entre as quatro maiores do segmento.

Stella Fuão, diretora comercial da EDP na América do Sul, explica que a principal mudança está na forma como a energia passa a ser tratada dentro das empresas.
“No Mercado Livre, a empresa deixa de comprar energia por tarifas definidas e passa a negociar diretamente as condições de fornecimento, como preço, prazo e volume. Isso permite mais previsibilidade, possibilidade de redução de custos e uma gestão energética mais estratégica, alinhada à realidade do negócio”, afirma.
No Espírito Santo, o perfil econômico favorece a expansão do modelo. O estado reúne uma base industrial relevante, empresas de médio porte, redes de serviços e negócios com consumo intensivo de energia, segmentos que tendem a buscar alternativas para reduzir custos e ganhar previsibilidade.
“O Espírito Santo apresenta um perfil bastante favorável ao Mercado Livre, com uma economia diversificada e forte presença da indústria e de empresas de médio porte, sendo hoje um dos estados que mais crescem no Brasil nesse modelo. Esse contexto tem impulsionado a adoção do Mercado Livre no estado, com crescente interesse por soluções que aumentem eficiência e competitividade”, destaca Stella.
Hoje, todas as empresas conectadas em média e alta tensão já podem acessar o Mercado Livre de Energia. Entre os segmentos com maior potencial estão indústrias, empresas de serviços e redes de varejo. No caso capixaba, segundo a EDP, a indústria lidera o movimento de adesão.
O impacto financeiro é um dos principais atrativos. A economia varia conforme o perfil de consumo, volume contratado, sazonalidade e estratégia de compra, podendo chegar a cerca de 15% atualmente, em relação ao mercado regulado.
Apesar do potencial, a migração ainda esbarra em barreiras de informação. “As principais barreiras estão ligadas à falta de informação e à percepção de que o processo de migração para o Mercado Livre de Energia é complexo. Muitas empresas elegíveis ainda não sabem que podem acessar esse modelo ou têm dúvidas sobre regras, prazos e benefícios reais”, aponta.
Para reduzir essa distância, a EDP aposta em uma jornada digital para análise de elegibilidade e simulação de economia. A estratégia é capturar uma fatia de um mercado que deve crescer rapidamente à medida que mais empresas passam a tratar a energia não apenas como despesa operacional, mas como variável de competitividade.
Há, no entanto, um ponto de atenção: a volatilidade do mercado. Em situações de estresse, comercializadoras podem enfrentar dificuldades para honrar contratos, o que obriga clientes a buscar novas alternativas em curto prazo. Nesse cenário, a solidez da empresa escolhida passa a ser parte central da decisão de migração.
“Contar com um parceiro sólido faz toda a diferença nesse processo. A EDP atua há mais de 30 anos no setor elétrico brasileiro e trabalha em toda a cadeia de energia, incluindo geração, transmissão, distribuição e comercialização, o que traz segurança, credibilidade e apoio técnico ao cliente em todas as etapas da contratação e da gestão do fornecimento”, afirma a diretora.


