Santa Catarina acaba de firmar um acordo com a indiana Orgonew Pvt. Ltd. para instalação de uma unidade industrial voltada à produção de nanotecnologia aplicada à nutrição animal, com investimento previsto de R$ 35 milhões ao longo dos próximos 12 a 24 meses. A nova fábrica deve gerar cerca de 100 empregos diretos na primeira fase de operação e terá como foco inicial o mercado brasileiro. A escolha do estado não é casual: Santa Catarina lidera a produção nacional de proteína animal, com cadeias produtivas de aves e suínos que figuram entre as mais competitivas do mundo, o que torna o território estratégico para uma tecnologia cujo mercado-alvo são as rações e suplementos do setor.
Nano Fosfato Bicálcico: mais nutrição, menos produto
A tecnologia que será fabricada em solo catarinense tem como núcleo o Nano Fosfato Bicálcico (Nano DCP), solução desenvolvida pela Orgonew que amplia a biodisponibilidade (capacidade do organismo do animal de absorver efetivamente os nutrientes ingeridos) de minerais, vitaminas e aminoácidos presentes na alimentação animal. O princípio da nanotecnologia nesse contexto é aumentar a superfície de contato das partículas com o organismo do animal, o que eleva a eficácia da absorção nutricional sem aumentar proporcionalmente a quantidade de produto utilizado. O resultado prático, segundo a empresa, é maior eficiência produtiva, redução de custos e menor carga ambiental por tonelada de proteína produzida.
A formalização ocorreu durante reunião entre o governador Jorginho Mello e o embaixador extraordinário e plenipotenciário da Índia no Brasil, Dinesh Bhatia, em sua primeira visita oficial a Santa Catarina, realizada na Casa d’Agronômica, em Florianópolis. O local exato de instalação da fábrica ainda não foi divulgado, mas o recorte setorial já está definido: o complexo de proteína animal catarinense, que posiciona o estado entre os maiores exportadores de frango e suíno do país. O foco inicial da operação é o mercado doméstico, o que faz de Santa Catarina não apenas um polo de produção, mas uma base de distribuição para o Brasil.
O governador Jorginho Mello destacou o ambiente de segurança jurídica e a vocação produtiva do estado como fatores determinantes na atração do investimento.
“Santa Catarina é referência mundial na produção de proteína animal e reúne as condições ideais para receber investimentos inovadores como este. Temos toda segurança que o empresário precisa. Estamos fortalecendo nossa economia, gerando empregos e abrindo novas oportunidades de desenvolvimento para o estado”, afirmou.
Lucas Soares, CEO da Nanofeed Animal Health & Nutrition, posiciona a chegada da tecnologia ao Brasil como o vetor de uma relação bilateral em construção.
“O anúncio representa um avanço gigantesco nas relações institucionais entre a Índia e o Brasil, e a Nanofeed, que é a empresa que hoje assinou esse memorando de intenções com o Estado, é o vetor dessa relação que se constrói. Ela é uma empresa que traz tecnologia indiana, tecnologia em nutrição animal, nós estamos falando de nanotecnologia, ou seja, mais resultado com muito menos carga de produto”, ressaltou.
A operacionalização do acordo está estruturada em um Memorando de Entendimento com vigência de dois anos, que prevê a criação de um grupo de trabalho conjunto, intercâmbio técnico, capacitação de mão de obra especializada, realização de missões empresariais e avaliação de novas oportunidades de expansão industrial no estado. A previsão é que a fábrica entre em operação dentro do prazo de vigência do acordo, com os 100 empregos diretos da primeira fase como ponto de partida.


