As exportações paranaenses somaram US$ 2,24 bilhões em abril de 2026, avanço de 7,74% sobre os US$ 2,08 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços compilados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). O resultado marca o quarto mês consecutivo de crescimento das vendas externas do estado em 2026 e consolida o Paraná, segundo maior produtor de soja do Brasil, como o maior exportador da região Sul e o sexto do país no acumulado do primeiro quadrimestre, com US$ 7,54 bilhões embarcados.
No acumulado do ano, US$ 7,54 bilhões: o maior volume do Sul do país
A trajetória ao longo do ano é consistente: de US$ 1,41 bilhão em janeiro, as exportações paranaenses avançaram para US$ 1,8 bilhão em fevereiro, US$ 2,1 bilhões em março e US$ 2,24 bilhões em abril. O crescimento entre o primeiro e o quarto mês representa uma expansão de quase 59% no volume exportado ao longo do quadrimestre. No ranking nacional do período, o Paraná ocupa a sexta posição, à frente de todos os demais estados do Sul.
O principal motor do avanço em abril foi a cadeia da soja, que respondeu pelos maiores volumes financeiros e pelas maiores taxas de crescimento entre os produtos exportados. A soja em grão cresceu 14,41% na comparação anual, passando de US$ 478 milhões para US$ 547 milhões. O farelo de soja registrou alta de 39,91%, saltando de US$ 97 milhões para US$ 136 milhões. O maior avanço proporcional veio do óleo de soja: as vendas praticamente dobraram em um ano, de US$ 52 milhões para US$ 101 milhões, alta de 94,8%.
Máquinas de terraplanagem avançam 69,3% e diversificam a pauta
Além da cadeia da soja, as exportações de máquinas de terraplanagem e perfuração cresceram 69,3% em abril, com expansão de US$ 44 milhões para US$ 74 milhões. O dado reforça que o crescimento da pauta exportadora paranaense não está restrito ao agronegócio, ainda que a soja e seus derivados continuem concentrando o maior volume de embarques.
Jorge Callado, diretor-presidente do Ipardes, destacou que o desempenho foi alcançado em um cenário externo adverso. “Apesar da interrupção de alguns fluxos comerciais devido a disputas bélicas e geopolíticas, os exportadores paranaenses conseguiram ampliar seus negócios por meio de mercados e rotas alternativas”, afirmou.
Índia cresce 75,9% e Colômbia mais que dobra as compras do Paraná
Entre os destinos, China, Índia e Colômbia lideraram o crescimento das compras de produtos paranaenses em abril. A China, principal parceira comercial do estado, elevou suas importações 6,17%, de US$ 559 milhões para US$ 593 milhões. A Índia avançou 75,92%, de US$ 57 milhões para US$ 100 milhões. A Colômbia registrou o maior crescimento proporcional entre os destinos de destaque: alta de 110,29%, com volume saltando de US$ 30 milhões para US$ 63 milhões.
No acumulado do primeiro quadrimestre, a China concentra 23,8% de tudo o que o Paraná exporta. Na sequência aparecem Argentina (5,3%), Estados Unidos (3,7%), Índia (3,6%) e México (3,5%). No período, a Índia foi o país que mais ampliou suas compras de produtos paranaenses, com crescimento de 60,8%, de US$ 169,1 milhões para US$ 272 milhões. O Japão apresentou expansão ainda maior em termos proporcionais: 115,3%, com volume saltando de US$ 92,7 milhões para US$ 199,7 milhões.
R$ 6,77 bilhões em novos investimentos: a industrialização da soja acelera no Paraná
O avanço das exportações de derivados da soja acompanha um ciclo de expansão da agroindústria paranaense, impulsionado por investimentos recentes em processamento e industrialização do grão no estado. Em março de 2026, a Cooperativa Tradição inaugurou, em Pato Branco, um complexo com capacidade para processar até 3 mil toneladas de soja por dia, com aporte de R$ 770 milhões.
No mesmo mês, o Grupo Potencial inaugurou uma nova esmagadora de soja (unidade industrial que separa o grão em óleo e farelo) e uma planta de glicerina refinada na Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba, dentro de um ciclo de expansão que prevê R$ 6 bilhões em investimentos até 2030. Com a ampliação, o complexo deverá dobrar sua capacidade de processamento, de 3,5 mil para 7 mil toneladas diárias.
O Paraná é atualmente o segundo maior produtor de soja do Brasil. Segundo estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento, a safra de 2026 deve alcançar aproximadamente 22 milhões de toneladas, o equivalente a cerca de 13% da produção nacional.
A combinação entre o volume de grão disponível e os novos investimentos em industrialização sustenta a perspectiva de que os derivados continuem ganhando participação crescente na pauta exportadora do estado nos próximos anos.


