A Apex Partners passou a ocupar uma posição mais estratégica dentro da maior operadora de viagens da América Latina. Os acionistas da CVC Corp aprovaram, em Assembleia Geral Extraordinária, a dispensa da obrigação de realização de uma oferta pública de aquisição de ações (a chamada OPA) em favor dos investidores vinculados ao novo acordo da companhia. Com a decisão, o acordo entrou em vigor e Fernando Cinelli, presidente da Apex, foi eleito membro efetivo do Conselho de Administração da CVC. Na prática, a aprovação consolida um movimento que vinha sendo articulado desde abril e coloca a Apex no centro da governança de uma das principais plataformas de turismo do país.
“A Apex tem defendido que existe um Brasil de oportunidades fora dos centros tradicionais”, afirma presidente da Apex
O acordo de acionistas reúne fundos de investimento ligados à Apex e à BRM Carbyne (gestora da Apex), além de outros acionistas relevantes. Entre eles estão GJP Fundo de Investimento Financeiro em Ações, Carbyne Travel Fundo de Investimento Financeiro, BRM Carbyne Voyage Fechado Fundo de Investimento Financeiro em Ações, Apex Vessel Fundo de Investimento Multimercado, AM Latitude Fundo de Investimento Financeiro em Ações, Propósito Previdência Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado e BRM Carbyne Jaguar Fundo de Investimento Financeiro em Ações.
A aprovação da dispensa da OPA era uma etapa importante para a entrada em vigor do acordo. Em termos práticos, a decisão permite que os acionistas vinculados ao grupo mantenham participação relevante na companhia sem a necessidade de lançar uma oferta pública para compra das ações dos demais investidores. O movimento não representa, necessariamente, uma aquisição de controle, mas reorganiza a governança e amplia o peso de investidores de referência na estratégia da CVC.
A eleição de Cinelli ocorreu em substituição a Tiago Ring. O mandato será cumprido até a Assembleia Geral Ordinária que analisará as contas relativas ao exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2026.
Para Fernando Cinelli, a entrada no Conselho reforça uma visão de longo prazo sobre o setor.
“A entrada no Conselho da CVC representa uma visão de longo prazo. Estamos falando de uma companhia com marca forte, capilaridade nacional e capacidade de influenciar o desenvolvimento de destinos turísticos em todo o país. O turismo brasileiro ainda tem muito espaço para crescer, especialmente nos mercados regionais, e a CVC tem uma plataforma única para transformar esse potencial em negócio”, afirma.
A leitura conversa diretamente com uma tese que a Apex vem defendendo nos últimos anos: a força dos mercados regionais brasileiros como vetores de crescimento em setores como consumo, crédito, infraestrutura, serviços e turismo. No caso da CVC, essa tese ganha aplicação prática. A companhia tem escala nacional, rede de distribuição, relacionamento com agências e capacidade de induzir demanda para destinos que ainda não ocupam espaço proporcional ao seu potencial.
O Espírito Santo entra nessa equação. Para Cinelli, o estado reúne atributos para ganhar mais protagonismo no turismo nacional, mas ainda precisa transformar esses ativos em produto estruturado.
“O Espírito Santo reúne atributos importantes para ganhar mais protagonismo no turismo: localização estratégica, infraestrutura aeroportuária, belezas naturais, gastronomia, cultura e um ambiente empresarial cada vez mais organizado. O desafio é transformar esses ativos em produto turístico, com distribuição, roteiro, venda e recorrência. A Apex tem defendido que existe um Brasil de oportunidades fora dos centros tradicionais. O turismo é uma das formas mais claras de materializar essa tese, porque conecta consumo, serviços, hotelaria, transporte, comércio e geração de renda local. Estar mais próximo da governança da CVC é também estar mais próximo dessa agenda de desenvolvimento regional”, afirma Cinelli.


