A Cachaçaria Princesa Isabel, destilaria instalada na Fazenda Tupã, em Linhares, no norte do Espírito Santo, saiu do 15º New Spirits como a maior premiada da feira. O certame — maior evento de destilados do Brasil com mais de 600 inscrições na edição anterior — coroou a Princesa Isabel Nebbiolo, cachaça envelhecida em barris de vinho da uva Nebbiolo, com a medalha Duplo Ouro na categoria “Cachaças Armazenadas em Madeiras Estrangeiras” – a mais alta distinção de toda a edição.
A marca capixaba ainda somou mais três prêmios: Medalha de Ouro para a Princesa Isabel Jequitibá Rosa, na categoria Cachaças Brancas; Medalha de Prata para a Princesa Isabel Ouro, na categoria Cachaças Blends de Madeiras; e Mérito Sensorial para o Mar Dry Gin, consolidando o Espírito Santo no mapa dos grandes produtores artesanais de cachaça do país.
Duplo Ouro no New Spirits — a maior pontuação de toda a feira vai para o Espírito Santo
O Concurso New Spirits — apelidado de ‘cúpula da cachaça’ pelo setor — é vinculado à Expo Cachaça, uma das principais feiras nacionais do setor, e avalia destilados produzidos no Brasil em categorias como cachaças brancas, madeiras brasileiras e estrangeiras, entre outras. Com mais de 600 inscrições em sua última edição, consolidou-se como o maior concurso de destilados do Brasil.
É nesse cenário que a Princesa Isabel Nebbiolo se destacou. A cachaça, envelhecida em barris de vinho da uva Nebbiolo, conferindo ao destilado notas frutadas, florais e levemente amadeiradas, foi considerada a mais bem avaliada de todo o concurso, recebendo a medalha Duplo Ouro.
“É um reconhecimento importante, porque esse produto é realmente muito diferenciado, muito único, e toda a linha da Princesa Isabel Extra Premium vem na mesma linha desse produto da Nebbiolo. Esse é um concurso nacional, que avalia vários destilados, mas principalmente cachaças. Ele é vinculado à Expo Cachaça, que é uma feira nacional. São várias categorias: cachaças brancas, cachaças em madeiras brasileiras, cachaças em carvalho. Fomos premiados em várias categorias, e nessa específica, que é de madeiras europeias/carvalho, ganhamos a maior pontuação da feira, que é essa premiação duplo-ouro, que foi a cachaça mais bem avaliada do concurso inteiro”, explica Pedro Cellia, sócio e administrador da Cachaçaria Princesa Isabel.
928 hectares, 38 premiações e expansão para a China: um retrato da destilaria em Linhares
Fundada em 2013 por Adão Cellia, a Cachaçaria Princesa Isabel nasceu com a proposta de transformar o cultivo de cana da Fazenda Tupã, instalada entre o Rio Doce e a Serra do Mar, em um produto com identidade capixaba. O nome é uma homenagem à esposa do fundador, Isabel de Moraes Cellia, que hoje, ao lado dos filhos Pedro e Gabriela Cellia, conduz o negócio familiar.
São 928 hectares, que reúnem todas as etapas da cadeia produtiva sob o mesmo teto: do plantio à garrafa final. As variedades de cana são cultivadas na própria propriedade, com colheita manual, moagem em até 12 horas e fermentação natural. Durante o envelhecimento, os barris chegam a receber trilha sonora, uma aposta da família Cellia de que a vibração sonora interfere no amadurecimento do destilado, sem respaldo científico estabelecido, mas incorporada como parte do método da casa.
A destilaria produz hoje cerca de 60 mil garrafas por ano entre cachaças, gin e vodka, e acumula 38 premiações nacionais e internacionais, entre elas o Grande Ouro de Bruxelas. Um plano de expansão em curso prevê dobrar a área plantada, modernizar o engenho e instalar novos alambiques, o que elevará a produção anual de 38 mil para 80 mil litros até o fim de 2026. A estratégia de crescimento combina avanço em outros estados do Brasil — Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo figuram na lista — com a entrada em novos mercados internacionais. Hoje, a empresa já exporta para Itália e Estados Unidos. O próximo destino na mira é a China.
“O chinês tem um hábito de consumo de destilados muito forte, até maior que o europeu. Já estamos com o processo de registro na região e agora, com essa expansão, vamos avançar com equipe de vendas local para iniciar a operação”, explica Pedro Cellia.


