Empresário vai investir R$ 1 bilhão em complexo de hospitalidade e entretenimento na Serra Gaúcha: o Sirena Gramado, ancorado pelo Club Med, ocupará 205 hectares e reunirá resort all inclusive, residências de luxo, pista de ski e centro de convenções. A primeira fase, com 20 villas de alto padrão e VGV (Valor Geral de Vendas) estimado entre R$ 130 e R$ 150 milhões, será entregue no segundo semestre de 2026. O VGV total do empreendimento pode chegar a R$ 1,5 bilhão.
De destino romântico a polo familiar: o mercado que atraiu complexo de luxo para a Serra Gaúcha
O projeto chega em um momento de reconfiguração do turismo em Gramado. A cidade atingiu 8 milhões de visitantes por ano no pós-pandemia e viu, pela primeira vez, as famílias com crianças ultrapassarem os casais como perfil dominante: 30% contra 29%, segundo dados da Prefeitura de Gramado. Em 2022, as famílias já representavam 30% dos visitantes, enquanto os casais ainda lideravam com 35%.
O câmbio foi um dos fatores que acelerou essa transição. Com viagens internacionais mais caras, o brasileiro passou a concentrar o consumo de lazer no país, beneficiando diretamente destinos domésticos de alto padrão. Para Ricardo Mader, diretor de hotelaria da JLL no Brasil, a mudança de escala do destino era inevitável. “Mudou de um destino de aproveitar o friozinho, tomar um vinho e comer fondue para um turismo de massa. Com isso, não dá mais pra ficar naqueles hotéis românticos e dá para partir para grandes empreendimentos”, afirmou.
Foi nessa janela que o Sirena Gramado foi concebido: reunir entretenimento, hotelaria de luxo e real estate em um único complexo, usando o Club Med como âncora para viabilizar o projeto financeiramente. Resort all inclusive, residências de luxo, pista de ski e centro de convenções serão distribuídos em 205 hectares. A primeira fase, com 20 villas de alto padrão, terá VGV entre R$ 130 e R$ 150 milhões e entrega prevista para o segundo semestre de 2026. O VGV total do empreendimento pode chegar a R$ 1,5 bilhão, segundo o próprio empresário. “O Club Med se interessou quando provoquei eles ao dizer, ‘vamos fazer uma Disney aqui’. Ou seja, um conjunto de entretenimento com eles como âncora e o real estate que viabiliza financeiramente o projeto”, disse Dody Sirena, empresário investidor do projeto.
Para o Club Med, a entrada no projeto representa um movimento de posicionamento no mercado brasileiro. O empreendimento será o quarto resort da rede no país e o primeiro com a bandeira Exclusive Collection, seu selo de luxo, voltado ao público familiar de alto padrão. “O público familiar gera um impacto econômico relevante, pois tem uma jornada mais ampla, com estadias longas e maior consumo de experiências dentro e fora do resort”, afirmou Janyck Daudet, CEO do Club Med para a América Latina.
Investimentos internacionais e gargalo de infraestrutura: os limites do crescimento na Serra Gaúcha
O Sirena Gramado não está sozinho. A rede alemã Kempinski constrói um empreendimento de luxo em Canela, cidade vizinha, e a portuguesa Vila Galé estuda sua entrada na região. Gramado conta hoje com 190 hotéis e pousadas, número mais de quatro vezes superior ao registrado em 2020. O crescimento acelerado, no entanto, esbarrou em limites concretos: a Prefeitura bloqueou a aprovação de novos projetos hoteleiros diante de dificuldades para garantir abastecimento adequado de água e energia para a demanda já instalada.
O acesso é outro gargalo histórico: o aeroporto mais próximo é o de Porto Alegre, a 100 quilômetros de Gramado. “É uma preocupação já há 30 anos ter que passar aquele perrengue de descer em Porto Alegre e pegar um transfer, ônibus ou alugar carro”, afirmou Mader.


