A incorporadora paranaense Aruna Urbanismo avança no projeto de expansão do Aeroporto Campo Comandantes, em Itajaí (SC), com investimento de R$ 400 milhões distribuídos ao longo de quatro anos. O plano combina ampliação de pista, infraestrutura de hospitalidade premium, implantação de um FBO (estrutura dedicada ao atendimento exclusivo de passageiros e tripulações em solo) e um complexo de aproximadamente 65 hangares, com o objetivo de posicionar o terminal como um dos principais aeroportos executivos da região Sul e consolidar o litoral norte catarinense como polo de aviação corporativa.
Pista cresce 40% e aeroporto passa a acomodar todas as classes executivas até 2026
O ponto de partida da expansão é operacional. A pista atual, de 1.000 metros de comprimento por 18 metros de largura, será ampliada para 1.400 metros por 30 metros de largura, um crescimento de 40% no comprimento e de 67% na largura. Com isso, o Campo Comandantes passará a receber todas as classes da aviação executiva, desde turboélices leves até jatos de grande porte, até o fim de 2026. A obra também contempla reforço de infraestrutura de segurança operacional e a criação de áreas de descanso, espaços para reuniões e ambientes voltados à permanência de pilotos e passageiros.
A partir de 2027, o projeto avança para a implantação do FBO, que oferece recepção diretamente na aeronave e suporte premium em solo, padrão ainda raro fora dos grandes centros do país. O complexo de hangares prevê 50 lotes em modelo de condomínio aeronáutico à venda e outros 15 hangares de maior porte destinados à locação e a operações de hangaragem coletiva para aeronaves de maior porte.
Posição geográfica coloca Itajaí no mapa da aviação corporativa do Sul
A localização do aeroporto é um dos ativos centrais do projeto. Situado a cerca de 15 km de Balneário Camboriú e com acesso direto às principais cidades do Vale do Itajaí, o Campo Comandantes está inserido em uma das regiões de maior concentração de riqueza e dinamismo empresarial do Sul do Brasil. O Vale do Itajaí concentra um dos maiores clusters têxteis e portuários do país, com cidades como Blumenau, Brusque e o próprio Porto de Itajaí, que figura entre os cinco maiores portos de contêineres do Brasil em volume movimentado. É nesse contexto que a aposta faz sentido: segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a frota de aeronaves da aviação geral no Brasil cresceu mais de 30% na última década, com concentração expressiva de novas matrículas nos estados do Sul e Sudeste.
Estudo realizado pelas consultorias Infraway e Alvarez & Marsal aponta que o aeroporto tem potencial para atender simultaneamente múltiplos segmentos: turismo e lazer de alto padrão, aviação corporativa, operações offshore (voos de apoio a plataformas marítimas), transporte aeromédico, administração pública e segurança. Essa versatilidade operacional é o que diferencia o projeto de uma expansão puramente imobiliária.
Para Raphael Ferreira, sócio da Aruna Urbanismo, o foco inicial está na qualidade da experiência e na segurança operacional. “Estamos estruturando o aeroporto para atender desde a operação até a permanência das aeronaves, com foco em eficiência, segurança e um novo padrão de serviço. A expectativa é que o Aeroporto Campo Comandantes se consolide como um dos principais hubs de aviação executiva do país, acompanhando o crescimento da demanda por mobilidade aérea qualificada no Sul do Brasil”, afirmou.
Com o cronograma previsto, a previsão é que o aeroporto esteja plenamente operacional na nova configuração a partir do segundo semestre de 2027, quando o FBO e o complexo de hangares devem estar em funcionamento.


