A inteligência artificial começa a avançar também sobre a execução das compras, e não mais apenas sobre recomendação e busca. A primeira transação agêntica (leia-se: por agentes de IA) do Brasil, realizada em março deste ano pelo Banco do Brasil e Visa, indica uma nova etapa na transformação digital do setor de pagamentos. O movimento acontece em um contexto em que 51% das jornadas de compra já começam em ferramentas de inteligência artificial, mostrando que a tecnologia passa a ocupar posição cada vez mais central na relação entre consumo, decisão e transação.
Evento discute nova camada estratégica dos pagamentos
A operação, realizada em ambiente controlado, é vista pelo mercado como um marco por colocar em prática o conceito de pagamento agêntico, quando um agente de IA consegue iniciar e concluir uma compra com base em parâmetros previamente autorizados pelo usuário. Na prática, o avanço desloca a inteligência artificial do campo da descoberta para o da execução e reforça uma mudança mais ampla: pagamentos deixam de ser apenas a etapa final da jornada e passam a ganhar peso estratégico dentro dos ecossistemas digitais.
A virada foi um dos temas discutidos no Payments Leadership, evento promovido pela Zoop em São Paulo. A empresa, que atua com infraestrutura financeira para plataformas, marketplaces, ERPs, indústrias e fintechs, defende que o setor entrou em uma nova fase, em que pagamento, dados, automação e identidade digital passam a operar de forma cada vez mais integrada.
Durante anos, os pagamentos foram tratados como uma camada operacional, responsável por processar a etapa final da compra. Com o avanço da IA nas jornadas de consumo, essa lógica começa a mudar. Se a busca e a decisão passam a acontecer cada vez mais dentro de ferramentas inteligentes, cresce também o valor da infraestrutura que autentica, autoriza, integra, processa e reduz fricção.
Fundada em 2014, a Zoop surgiu com a proposta de atuar nos bastidores da jornada financeira, separando a infraestrutura de pagamentos da experiência final do usuário e permitindo que outras empresas incorporassem serviços financeiros aos próprios ecossistemas — na prática, criou a camada que faz outras empresas “virarem fintech” sem ter que montar tudo do zero. Esse posicionamento ganhou nova escala a partir da entrada no ecossistema iFood, movimento iniciado em 2018 e concluído em 2024, que reforçou o papel estratégico da frente financeira dentro de uma operação de grande volume transacional.
A partir daí, a empresa passou a sustentar com mais força a tese de que pagamentos deixam de ser apenas uma etapa operacional para se tornar uma alavanca de crescimento, monetização, eficiência operacional e inteligência de dados. No centro dessa leitura está a ideia de que o futuro do setor estará menos na interface visível ao consumidor e mais na capacidade de integrar serviços, automatizar fluxos e transformar a infraestrutura financeira em vantagem competitiva.


