O Tecon Rio Grande, terminal de cointainers localizado no Rio Grande do Sul, entrou em um novo ciclo de expansão. Entre 2025 e 2028, o terminal projeta investir cerca de R$ 1,4 bilhão para mais que dobrar sua capacidade operacional até 2029. Hoje, a estrutura tem capacidade nominal para movimentar aproximadamente 1,4 milhão de TEUs por ano – unidade equivalente a um contêiner de 20 pés. Com a ampliação, o potencial salta para 3,2 milhões de TEUs anuais.
Parte desse plano já saiu do papel. Segundo Paulo Bertinetti, diretor-presidente do terminal, R$ 400 milhões já foram aplicados no projeto. Atualmente, o complexo conta com 900 metros de cais. Com as obras, essa extensão chegará a 1,2 mil metros, permitindo a operação de embarcações cada vez maiores — uma exigência do comércio internacional atual.
Os números mostram que o crescimento já começou. Em 2024, o terminal movimentou 1,07 milhão de TEUs, a primeira vez que superou a marca de 1 milhão. No ano anterior, haviam sido 867 mil. Em relação às escalas de navios, foram 773 operações em 2025, contra 658 no período anterior.
O terminal tem papel estratégico nas exportações brasileiras, com destaque para cargas como frango, resinas, tabaco, arroz e madeira. Já nas importações, predominam partes e peças, produtos químicos, máquinas e plásticos.
O controle do terminal está hoje nas mãos do grupo ligado à MSC, que no ano passado adquiriu a Wilson Sons, antiga responsável pela operação. Para Elber Justo, diretor-presidente do grupo no Brasil, o país ainda precisa avançar na ampliação da sua capacidade portuária para acompanhar o tamanho dos navios que circulam pelo mundo.
Ele lembra que portos da Argentina e do Uruguai enfrentam limitações para receber embarcações de grande porte, o que coloca o Rio Grande como uma alternativa natural na região, embora não seja a única. Para manter a competitividade, reforça, é essencial continuar investindo em infraestrutura, especialmente em dragagem.
O Tecon Rio Grande é hoje o único terminal exclusivamente dedicado a contêineres no estado e figura entre os principais da América Latina. Atualmente, é considerado o terminal mais automatizado do país. O local está passando por modernizações para receber navios de maior porte, aumentar a eficiência das operações e consolidar o terminal como um polo logístico, facilitando o comércio com Argentina, Uruguai e Paraguai.
No final de 2025, o terminal de contêineres de Rio Grande recebeu um financiamento de R$ 331 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


