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Carta do Economista: Guerra e reação do governo dos USA à queda das tarifas renovam incertezas

  • 4 março, 2026

O mês de fevereiro tem início ainda sob os efeitos das ameaças (Groelândia) e a incerteza quanto ao desempenho da economia dos USA, mantendo estável os preços dos ativos. Neste cenário, os dados da criação de empregos e crescimento do PIB USA reduziram as incertezas e pareciam possibilitar nova fase de valorização dos ativos. Mas a reação e ameaças do Presidente Trump à eliminação das tarifas imposta pela Suprema Corte e ao aumento da possibilidade de ataque ao Irã (iniciado em 28/02), levaram à nova queda nos preços dos ativos nos USA.

No Brasil, sem mudanças internas, o mercado doméstico descola do internacional, aproveitando do crescimento, da queda da inflação e juros altos, atraindo capital estrangeiro, levando a valorização da bolsa e do real.

1.1 – Mercado Externo

Fevereiro seguiu sem alterações no cenário de crescimento e inflação das economias europeias e chinesas. Na China, os PMI (“Purchasing Managers’ Index”) continuam indicando baixo crescimento. Na Europa, (Zona do Euro e UK), o crescimento anual do PIB foi ao redor de 1%.

Mais uma vez, a fonte de incertezas foi os USA, mas não na economia. Os dados de criação de empregos em janeiro e do PIB no 4º tri de 2025, mostram que a economia continua crescendo em ritmo menor (Gráfico I).

A mudança de cenário ocorre na 2ª metade de fevereiro. Primeiro, quando o governo dos USA ameaçou usar políticas tarifárias mais agressivas, devido a queda das tarifas reciprocas (IEEPA) pela Suprema Corte. Segundo, com o ataque ao Irã.

A nova onda de incerteza levou à queda do valor de mercado das empresas dos USA. O governo dos USA substituiu rapidamente as tarifas recíprocas, com nova tarifa geral de 15% (agora baseadas na Seção 122 da Lei de 1974). Mas a incerteza quanto aos rumos da política comercial e a oferta de petróleo no mundo podem reduzir os investimentos e o crescimento.

1.2 – Mercado Interno

Segundo o Focus, para 2026, a inflação esperada é 3,91% (era 4,0% há um mês). O crescimento esperado está em 1,82% (há um mês era 1,80%). Já a Selic de dezembro de 2026 está em 12,13% (era 12,25% há um mês).

A economia em 2025 (e 2026) terá crescimento menor (que em 2024), como mostram os dados do 4º trimestre (Serviços, vendas no varejo, IBC-BR). Quanto a 2026, o 5º levantamento da CONAB de 2025/26 (em 12/02), mostra crescimento de 0,6% da safra de grãos. Sobre a inflação anual, o IPCA de janeiro (4,44%) subiu e o IPCA-15 de fevereiro (4,10%) caiu. Mas, a expectativa de inflação de 2026 estava em queda. A possibilidade do COPOM reduzir os juros pode ser afetada pelos efeitos da guerra USA-Irã no preço do petróleo e na instabilidade externa.

Em fevereiro, sem alterações no cenário doméstico de crescimento e juros e com o aumento da incerteza nos USA (ver discussão acima), houve valorização dos ativos domésticos e do real propiciada pela entrada de investidores estrangeiros (Gráfico II).

Mas, para 2025-26, as perspectivas de crescimento e dos preços dos ativos continuam dependendo: (i) da estabilidade política interna e do avanço das reformas; (ii) do controle do risco fiscal e tributário; (iii) da política monetária, comercial e militar nos USA.

Vamos repetir os que temos dito nas últimas cartas. Em 2026, se a disputa presidencial gerar expectativa de aumento do risco fiscal e sem reformas pró-mercado, podemos ter maior volatilidade dos preços dos ativos, com pressão de alta do dólar e dos juros. Esta pressão pode aumentar em caso de conflitos militares longos, gerando aversão ao risco.

Quer ter acesso à Carta de março completa?

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