A gigante do agro Coamo Agroindustrial anunciou um investimento de R$ 136 milhões para comprar quatro unidades de armazenagem e estruturas agrícolas no norte do Paraná. Na prática, é um movimento estratégico que reforça ainda mais a presença da cooperativa na região Sul do país.
A operação envolve ativos localizados em Cambé, Sabáudia, Assaí e Bela Vista do Paraíso. As unidades pertenciam ao Fundo Pátria Logística Agro e estavam arrendadas à Belagrícola, que enfrenta um processo de recuperação extrajudicial. Agora, a Coamo assume o controle integral das estruturas e adiciona cerca de 220 mil toneladas à sua capacidade de armazenagem.
Mais do que silos, esses espaços passam a funcionar como entrepostos completos. Além do recebimento de grãos, os produtores encontram ali insumos, assistência técnica, venda de equipamentos e apoio financeiro por meio da agência de crédito da própria cooperativa. Ou seja, a estratégia vai além da expansão territorial: é uma forma de fortalecer o vínculo direto com o produtor rural da região.
A Coamo é hoje a maior cooperativa agroindustrial da América Latina e uma das maiores empresas do Brasil. Fundada em 1970, no município de Campo Mourão, por 79 agricultores, a cooperativa atua atualmente no Paraná, em Santa Catarina e no Mato Grosso do Sul. São mais de 32 mil cooperados e presença em 80 municípios.
A força da Coamo está principalmente na recepção e comercialização de grãos (com destaque para soja, milho, trigo e café) mas a cooperativa também tem forte atuação industrial, produzindo óleos, margarinas e gorduras vegetais.
Em 2025, mesmo diante de um cenário difícil para o setor de grãos, marcado pela queda dos preços internacionais, a cooperativa manteve estabilidade na receita, fechando o ano com R$ 28,7 bilhões. O patrimônio líquido chegou a R$ 13,3 bilhões e o número de cooperados alcançou 32,7 mil. Na lista Forbes Agro100 divulgada no ano passado, a Coamo apareceu como a 15ª maior empresa do agronegócio brasileiro.
O investimento nas quatro unidades foi feito com recursos próprios. Do total de R$ 136 milhões, R$ 31,2 milhões foram pagos na assinatura do contrato. O valor restante, de R$ 104,8 milhões, será quitado em quatro parcelas de R$ 26,2 milhões.
E esse não é um movimento isolado. Em 2025, a Coamo investiu R$ 1,93 bilhão na modernização da infraestrutura e na expansão industrial. Entre os projetos recentes estão uma nova indústria de etanol de milho e uma de biodiesel em Paranaguá.
Em Santa Catarina, a cooperativa também avança com o projeto do novo porto de Itapoá, que está em fase de licenciamento e tem previsão de início das obras em 2027.
Para 2026, a expectativa é que os investimentos ultrapassem R$ 1 bilhão, puxados justamente pela aquisição dessas quatro estruturas agrícolas. Ainda assim, o volume deve ficar abaixo do que foi aplicado em 2025, ano marcado por grandes aportes industriais.


