A economia capixaba evoluiu — e não foi pouco. O Espírito Santo que antes exportava matéria-prima, hoje começa a exportar inteligência produtiva, transformação industrial e sofisticação econômica. Essa mudança não aconteceu da noite para o dia: ela é fruto de décadas de evolução e de um trabalho feito pelas iniciativas públicas e privadas do estado. Agora, o café não sai mais em grão verde, e o aço não parte bruto. Essa mudança tem a ver com um novo jeito de pensar as cadeias produtivas. E ela já está em curso.
Mais que produzir: reter valor e moldar o futuro
A história da transformação econômica capixaba remonta a meados dos anos 1960, quando começamos a sair de uma economia baseada na produção agrícola em pequena escala — especialmente o café — rumo à industrialização. O que veio a seguir foi uma revolução silenciosa: grandes projetos industriais, muitos com capital estatal e estrangeiro, que marcaram as décadas de 1970 e 1980. As usinas de pelotização, os complexos siderúrgicos e os terminais portuários moldaram um novo perfil econômico, que se consolidou na década de 1990 como predominantemente urbano-industrial.
Desde os anos 2000, com uma carteira de investimentos crescente e o impulso da indústria de petróleo e gás, o Espírito Santo passou a ocupar um papel ainda mais relevante no PIB nacional. E hoje, colhemos os frutos de um movimento ainda mais refinado: o adensamento das cadeias produtivas.
Voltando ao café – ele é, sem dúvidas, um dos símbolos mais claros dessa virada. Tradicional protagonista da nossa agricultura, o grão antes era exportado em sua forma mais bruta. Agora, está sendo beneficiado, embalado e vendido com valor agregado em território capixaba — inclusive por marcas locais que conquistam espaço no mercado nacional e internacional. E isso significa mais empregos qualificados, maior retenção de receita no estado e empresas que crescem em território capixaba com competitividade global.
Outro exemplo emblemático vem da indústria do aço. A ArcelorMittal — maior produtora de aço do Brasil — anunciou um investimento de quase R$ 4 bilhões para a construção de uma linha de galvanização e um laminador de tiras a frio no Complexo de Tubarão. Com isso, o Espírito Santo deixará de ser apenas produtor de placas e passará a entregar o produto final pronto, com maior valor de mercado. Antes, os processos finais aconteciam em outras unidades da companhia, como em Santa Catarina. Agora, tudo será feito aqui.
Essa capacidade de reter as etapas mais nobres das cadeias produtivas é o que pode, de fato, transformar a qualidade do nosso desenvolvimento econômico. E não só pela geração de receita, mas pelo impacto direto na formação de capital humano, na sofisticação da nossa economia e na construção de uma marca capixaba mais forte no Brasil e no mundo.
Tudo isso me faz pensar no futuro. O plano ES 500 Anos — que busca projetar o estado para as próximas décadas — pode e deve ter como prioridade essa visão estratégica: como adensar cadeias produtivas, incentivar a industrialização inteligente e aproveitar o que já fazemos bem para dar um próximo passo.
Não é mais só sobre produzir mais. É sobre produzir melhor, com inteligência e ambição. Se fizermos isso de forma coordenada, com o setor público e a iniciativa privada caminhando juntos, o Espírito Santo tem todas as condições de ser um exemplo nacional de desenvolvimento sustentável e sofisticado.


